A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves
Enviada em 08/10/2021
Na mitologia grega, uma das histórias do herói Hércules narra sobre sua tentativa de reviver sua amada, cuja linha da vida fora sido cortada. Tal mito representa bem o desejo humano de enganar a morte, muito intrínseco em toda a humanidade, já que o fim da vida é um tabu, proibido de ser compartilhado. Logo, a importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves está, justamente, no fato de que, pela relação do homem com a morte, os pacientes terminais são forçados a não lidar com ela, apesar da iminência, e com isso, sofrem desnecessariamente.
Em primeiro plano, vale enfatizar que, por mais que os cuidados paliativos sejam uma área da saúde, poucas são as faculdades que oferecem uma carga horária eficiente sobre o assunto nos seus cursos. Isso porque, o enfoque das matérias, em medicina, por exemplo, está na perpetuação da vida, evitando a morte a qualquer custo. Em outras palavras, os profissionais são ensinados a colocar o tratamento na frente do bem-estar do paciente, mesmo que em alguns casos, a linha da vida já esteja por um fio apenas. Com isso, ao não lidar com a morte, os indivíduos que mais deveriam ter intimidade com ela, forçam os doentes a, da mesma forma, ignorar o mais provável cenário, impedindo-os de se preparar.
Ademais, somente esse obstáculo, da não preparação para o fim da vida, já seria uma negação do direito constitucional à vida- previsto pela Constituição de 1988-, porém, a não importância dada aos cuidados paliativos fere constantemente tal direito, afinal, para a saúde de hoje, vida deve prevalecer a qualquer custo. Sendo assim, quando o enfoque está no tratamento, o sofrimento do paciente é inevitável, pois o que importa não é se ele está com dor, mas sim se terá mais alguns dias de vida, independente da qualidade dela. Entretanto, um dos princípios dos cuidados paliativos é o oposto: parar de buscar alternativas e garantir o direito, que aquele paciente tem, à vida, e esta com qualidade. Por isso, a importância desses cuidados para os indivíduos com doenças graves está na garantia do cumprimento da Constituição.
Portanto, vê-se que o imaginário humano, desde os mitos gregos até hoje em dia, coloca a morte como um cenário a ser combatido, contudo, essa mentalidade deve ser mudada. Para isso, o Ministério da Educação, órgão do Governo que fiscaliza e gerencia todos os assuntos relacionados ao ensino no Brasil, deve alterar a grade horária dos cursos da área da saúde, por meio da introdução de mais aulas e estágios com o tema de cuidados paliativos, a fim de que a cura não seja mais a protagonista em todos os casos, mas sim, a qualidade de vida dos pacientes.