A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 19/10/2021

O Conselho Federal de Medicina criou, em 2006, uma resolução que permite ao médico, legalmente e de forma ética, interromper as medidas terapêuticas para um paciente quando já se esgotaram as chances de cura desse, desde que o representante legal do mesmo concorde com isso. Análogo a essa conjuntura, o paliativismo apresenta-se como uma promissora prática de assistência médica, uma vez que busca oferecer dignidade e diminuição do sofrimento ao enfermo. Tal forma de tratamento deve ter como objetivo atenuar o exagero terapêutico o qual visa somente o tratamento da doença, desconsiderando o bem-estar do paciente. Sendo assim, urge suscitar essa temática para discussão, a fim de divulgar-se as reais vantagens dos cuidados paliativos.

Em primeira análise, os familiares de doentes são demasiadamente afetados pelo estado clínico desses. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a abordagem paliativa deve seguir sempre os seguintes princípios gerais: alívio para dor e outros sintomas, reafirmar a vida e a morte como processos naturais, integrar os aspectos psicológicos do paciente, além de oferecer um sistema de apoio para ajudar a família a lidar com a doença. Essa cautela é necessária na medida em que conforta todos perante a situação indefinida do enfermo. Dessa forma, o tratamento em si não é destinado apenas ao paciente, mas também à sua família.

Em segunda análise, os cuidados médicos tradicionais são voltados, sobretudo, para a doença, desconsiderando o conforto da pessoa debilitada. Consoante o Art. 5º da constituição brasileira, todos são iguais perante a lei, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. Através dessa lei é assegurado a todos o direito de viver, não necessariamente o dever, pois cabe ao cidadão a decisão de como ele quer ser tratado em situação de enfermidade. À vista disso, o zelo pelo paciente passa a ser mais significativo do que o excesso terapêutico.

Depreende-se, portanto, que o cuidado paliativo tem a capacidade de melhorar a qualidade da assistência na saúde. Num primeiro momento, cabe ao Ministério da Saúde, em conjunto com gestores clínicos visionários, exigir do governantes, através de uma seção conjunta do Congresso Nacional, o desenvolvimento de uma política pública voltada ao paliativismo, tendo como objetivo inserir esse método terapêutico em todas as unidades de saúde do país. Ademais, compete ao Ministério da Educação a introdução dos cuidados paliativos como disciplina em todas as graduações de profissionais clínicos, a fim de passar uma filosofia humanística sobre a prática médica. Assim, doentes terminais e seus familiares poderão ter maior comodidade com a situação adversa enfrentada.