A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 10/10/2021

Os cuidados paliativos foram definidos, pela Organização Mundial de Saúde, como ações que consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e aliviar o sofrimento do paciente diante de uma doença que ameaça a sua vida. No entanto, a ausência de políticas públicas voltadas a implantação desses cuidados, aliada ao desconhecimento dos profissionais de saúde acerca da sua existência, têm perpetuado o sofrimento de muitos portadores de doenças graves. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a omissão das autoridades governamentais em amenizar o padecimento de inúmeros brasileiros em estágio avançado de doenças incuráveis. Nesse sentido, segundo a Academia Nacional de Cuidados Paliativos, em 2019, havia mais de 190 serviços paliativistas no país, ou seja, número inexpressivo diante dos mais de 6.500 hospitais credenciados pelo Serviço Único de Saúde. Tendo em vista que uma das premissas dos cuidados paliativos envolve o atendimento em centros especializados, tais estatísticas refletem uma política pública defasada diante da expressiva demanda desse tipo de abordagem, oriunda do aumento na expectativa de vida e dos avanços médicos nas áreas de diagnóstico e tratamento de diversas patologias.

Ademais, é fundamental apontar a ausência de ensino sobre cuidados paliativos nos cursos de graduação em saúde como impulsionador do atual modelo de assistência médica no Brasil. Nesse contexto, embora a medicina paliativa seja uma especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, tal disciplina tem sido modestamente abordada nos cursos de formação, o que justifica o atual modelo assistencial voltado à cura da enfermidade em detrimento da promoção do bem-estar do paciente. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater tais obstáculos. Para isso, é necessária a atuação conjunta dos Ministérios da Saúde e da Educção, por intermédio das universidades, em revisar o conteúdo programático dos cursos da área biológica e incluir a disciplina de Cuidados Paliativos em suas cadeiras. Ao mesmo tempo, deve-se incentivar a especialização dos atuais graduados, concomitante à abertura de novos serviços paliativistas, a fim de mudar o cenário atual. Espera-se, assim, consolidar uma sociedade mais humanizada, em que o cuidado esteja direcionado à promoção de conforto e dignidade àqueles em fase terminal.