A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 11/10/2021

O cuidado com o próximo sempre fez parte das sociedades humanas, embora nem sempre com a mesma intensidade. Se, na Grécia Antiga, era aceitável sacrificar um filho com algum tipo de má formação congênita, hoje esse tipo de conduta é duramente condenada pela moral contemporânea. Assim, é importante entender a importância da manutenção da vida por meio de cuidados paliativos em relação a doenças graves, considerando também os desafios inerentes a essa valorização para melhor entendimento do problema.

Em primeiro lugar, permitir um prolongamento da vida com analgesia e dignidade deve ser percebido como um direito básico de toda pessoa. Se essa compreensão não for colocada como um pressuposto dentro dos cuidados humanos, os limites para abandono do tratamento por parte dos cuidadores podem encontrar zonas obscuras nas quais não se terá a certeza se aquela doença poderia ter alcançado a remissão com o tempo, ou se a morte era, de fato, inevitável. Mas mesmo o intervalo do agravamento da doença até o falecimento do sujeito é, de toda maneira, o espaço preenchido por uma vida, que, caso não seja valorizada como qualquer outra, sem qualquer distinção, revela violação básica da Declaração Universal dos Direitos Humanos, carta da qual o Brasil é signatário.

Em segundo lugar, entretanto, alguns desafios surgem para a efetivação dos cuidados paleativos para indivíduos com doenças graves. O principal deles, e motivador de tantos outros, sem dúvida, são os custos de medicamentos, de material e de força de trabalho envolvidos. O tratamento da epidermólise bolhosa, por exemplo, que acomete crianças e levam-nas a uma expectativa de vida de menos de 20 anos, implica um custo altíssimo com importação de curativos e medicamentos, além de, no melhor cenário, pagamento de cuidadores para assistência às crianças afetadas, que sofrem para se alimentar, tomar banho e até para se acomodarem na cama. Cada paciente em hospitais que precisam de cuidados paleativos em CTI geram custo de 2 mil reais diários em média. Com isso, é claro que, em algum momento, o SUS simplesmente não terá aporte financeiro para cuidar por tempo indeterminado de todos, fazendo com que alguns desses pacientes não obtenham os cuidados ideais no curso da sua doença.

A partir dessa análise, fica claro que a sociedade deve participar mais ativamente no auxílio às doenças graves. Dessa maneira, a sociedade deve ser provocada a aumentar as doações para ONGs relacionadas a doenças graves, como a SOS EB Kids, por meio de propagandas diárias nas grandes mídias. Isso pode ser feito também com a participação de artistas de grande apelo, reforçando a publicidade. Assim, mais pessoas poderão contar com ajudas, diminuindo a pressão sobre o SUS.