A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 18/10/2021

No filme “A Culpa é das Estrelas”, a personagem Hazel está com câncer em estado terminal e, apesar da difícil rotina com a doença, recebe um bom tratamento no hospital. Contudo, o mesmo não acontece com uma parte da população brasileira que necessita de cuidados paliativos. Desse modo, observa-se em torno do problema a escassez de debates e a má influência midiática.

Primeiramente, é necessário atentar para o silenciamento social quanto ao impasse. Para o filósofo Foucault, alguns temas são silenciados para que certas estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna no que tange aos cuidados paliativos, que tem sido silenciado, haja vista que conteúdos sobre a assistência de doenças incuráveis são raramentes discutidas em qualquer meio de comunicação. Assim, sem diálogo sério e massivo sobre a problemática, sua resolução é impedida.

Ademais, há também uma forte influência da mídia no problema. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Por exemplo, quando algum filme, novela ou série retrata a vida de um paciente paliativo, só são mostrados momentos ruins e a dor pela qual se passa, e não se leva em consideração todos os cuidados recebidos e a asseguração de uma boa qualidade de vida na medida do possível. Logo, nota-se que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação e quebre esteriótipos preconceituosos, influencia na consolidação do impasse.

Portanto, medidas para a solução da questão são imprescíndiveis. Para tal, é fundamental que os canais brasileiros de televisão promovam debates informativos sobre a rotina de profissionais e pacientes que lidam com doenças terminais por meio de um quadro exclusivo em programas de TV, como Econtro com Fátima Bernardes ou Hoje em Dia, a fim de informar, romper com preconceitos e mostrar a realidade da assistência paliativa. Além disso, seria interessante a reexibição do quadro em horários diferentes, para que todos os brasileiros possam assistir. Enfim, logo se terá uma sociedade mais empática e democrática.