A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves
Enviada em 20/10/2021
Segundo o escritor português José Saramago, em sua obra “Ensaio sobre a lucidez”, há verdades que precisam ser repetidas para que não caiam no esquecimento. Traçando um paralelo entre o pensamento do autor e a realidade contemporânea, tem-se que uma dessas verdades que precisam ser reiteradas diz respeito à importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves, cujo objetivo principal é amenizar o sofrimento durante a progressão de uma enfermidade até a fase final da vida. É indispensável, portanto, que essa prática seja incentivada, tanto por razões de ordem legal quanto moral.
Em primeiro lugar, é válido salientar que o direito à saúde está previsto na lei. De acordo com a Constituição Federal, é dever do Estado garantir a promoção, a proteção e a recuperação da saúde a todos os indivíduos. Contudo, é desanimador notar que tal diretriz não dá sinais de plena execução, como mostram os alarmantes dados do portal de notícias da “G1”: cerca de 40% das mortes no Brasil são devido à falta de apoio médico. Com base nisso, chega-se à percepção de que os direitos garantidos na lei brasileira são retirados dos cidadãos – principalmente aqueles acometidos por alguma doença potencialmente fatal, seja ela física ou mental –, os quais se tornam reféns de uma estrutura inapta em fornecer o mínimo de assistência a proporcionar um atendimento e um tratamento adequados, sendo isso possível através dos cuidados paliativos. Confirma-se, portanto, o que já dizia Dante Alighieri: “as leis existem, mas quem as aplica?”.
Em segundo lugar, é fundamental entender que os cuidados paliativos têm impactos positivos na vida do doente e de sua família. Sob tal perspectiva, cabe mencionar o filósofo espanhol Adolfo Sanchéz, o qual atesta que o ato moral deve levar em consideração o modo como ele afeta os demais. A partir desse pensamento, infere-se que o paliativismo vai ao encontro dessa ideia, visto que promove uma série de benefícios a curto e longo prazo, como o controle do sofrimento físico do sujeito, o acesso a serviços de atendimento psicológico e, além disso, o apoio e suporte emocional a todos os envolvidos com o paciente. Logo, não dá para negar a dimensão ética dessa prática.
Por conseguinte, faz-se necessária a tomada de atitude frente a essa questão. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Saúde – por ser o órgão responsável em formular e normatizar políticas nessa área – promover a criação de campanhas públicas periódicas, as quais elucidem os benefícios advindos dos cuidados paliativos e informem à população como eles funcionam. Isso pode ser feito por meio da mídia digital e tradicional, como redes sociais, blogs, jornais e pela própria programação do rádio. Iniciativas assim resultarão em uma maior consciência acerca do tema e de suas repercussões.