A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves
Enviada em 22/10/2021
No livro “Por um fio”, o médico Drauzio Varella narra suas experiências como médico; sendo as mais marcantes, as de pessoas em estado terminal. Sob essa ótica, os cuidados paliativos são ferramentas indispensáveis para indivíduos com doenças graves. Nesse sentido, os pacientes necessitam não apenas de um diagnóstico, mas de alternativas para darem continuidade as suas vidas. Além disso, hoje, o papel da medicina não é mais visto como sendo, necessariamente, a cura, mas a qualidade de vida.
Em primeiro lugar, cabe destacar que tão importante quanto o diagnóstico de uma doença é o seu prognóstico. Segundo Hipócrates, considerado o “pai da medicina”, o médico deveria “curar quando possível, aliviar quase sempre e consolar sempre”. Dessa forma, é importante discutir o papel e responsabilidade ética do médico ao fornecer um diagnóstico de um tumor inoperável, uma doença incapacitante ou algo similar, por exemplo, pois trata-se notícias que trazem um enorme potencial. Isto posto, urge a necessidade de uma equipe composta por profissionais multidisciplinares como médicos, psicólogos e assistentes sociais para auxiliarem e prepararem o paciente para a nova realidade a ser encarada.
Ademais, em contextos que a cura não é mais alcançável, a medicina deve oferecer ferramentas que propiciem uma vida com mais qualidade ao paciente terminal e que o permita viver de forma digna. De acordo com o neurocirurgião americano Paul Kalanithi, diagnosticado com um câncer raro e já falecido, a morte é um evento único, mas viver com uma doença terminal é um processo. Por conseguinte, é imprescindível propor programas de cuidados paliativos que auxiliem o indíviduo a enfrentar essa dura jornada cujo o destino já é conhecido e inevitável, torna-se mister proporcionar alivio as dores e respeitar a autonomia do paciente para escolher seus tratamentos.
Portanto, os cuidados paliativos são necessários e uma forma de alento e de devolução da dignidade para pacientes terminais. Logo, é papel do Ministério da Saúde a criação de programas para a promoção dos cuidados paliativos de modo a previnir e aliviar o sofrimento dos pacientes, bem como de sua família, através de uma equipe preparada composta por profissionais da saúde e de assistência social de modo a afirmar a vida e influenciar positivamento o seu andamento. Enfim, a partir dessas ações, será possível, como propôs o Dr. Drauzio, “encarar com serenidade a contradição entre a vida e a morte”.