A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves
Enviada em 26/10/2021
Consoante Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade, assim como um “corpo biológico”, é composta por partes que interagem mutuamente e cujo bom funcionamento é fulcral à saúde do todo. Seguindo a lógica durkheimiana, fica claro que a negligência com relação aos cuidados paliativos, ao tornar mais dolorosos os últimos momentos de vida do paciente, ultraja a manutenção da coesão social. Em síntese, esse cenário é fruto da insciência popular acerca dessa temática sendo, ainda, agravado pela desídia do governo na ampliação do acesso a esse tipo de tratamento.
Primordialmente, é profícuo destacar que a desinformação com relação à importância dos cuidados paliativos intensifica esse impasse. De certo, a secundarização da disseminação de informações sobre essa modalidade de tratamento, que cumpre papel elementar ao amenizar o sofrimento de doentes em fase terminal, relativiza essa problemática na sociedade. Nessa perspectiva, o filósofo Jünger Habermas ressalta a importância da linguagem como meio de transformação dos aspectos sociais do mundo. Assim, a educação da população a esse respeito é fundamental para democratizar o emprego desses cuidados na mitigação do desconforto dos enfermos.
Faz-se mister, ainda, salientar a imperícia estatal como impulsionadora do problema. Nesse sentido, o artigo 3 da Carta Magna de 1988 incumbe ao Estado a garantia do bem-estar de todos os cidadãos. Dado o exposto e, entendendo-se a aplicação dos tratamentos paliativos como afirmação desse direito, uma vez que propicia ao paciente uma melhor realidade em um processo que, muitas vezes, se encerra com a morte, percebe-se que a indolência governamental nesse âmbito afronta a legislação. Nesse viés, a pragmatismo das leis mostra-se medular para proporcionar uma despedida mais digna aos pacientes terminais.
Frente a tal problemática, urge, pois que os Ministérios da Saúde e da Educação se unam para ofertarem nos cursos de graduação da área da saúde, tais como medicina e psicologia, cadeiras de capacitação ao emprego dos cuidados paliativos nas rotinas de tratamento dos doentes. Destarte, através da ampliação do quadro de funcionários aptos a esse fim, pode-se popularizar a utilização de tais técnicas, corroborando a qualidade de qualidade de vida dos pacientes. Desse modo, pode-se suscitar que a sociedade, de fato, funcione como o “corpo biológico” de Durkheim.