A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves
Enviada em 18/11/2021
No filme “Path Adams”, o personagem “Doutor Path” mostrou como a medicina não deve estar a serviço da doença, mas sim está a disposição do paciente e das necessidades deste como ser humano. E, com essa fragilidade do Homem e com a certeza da morte que a área de cuidados paliativos mostra o quanto que a empatia e o valor da vida são importantes. Por isso, debater sobre tratamentos paliativos em um país com tantos problemas e desafios na saúde como o Brasil é trazer dignidade aos que estão a viver suas últimas horas.
Nesse contexto, o Sistema Único de Saúde (SUS), apesar da grande abrangência de áreas médicas em atuação, não é uma referência em cuidados paliativos. Isso é visto com a baixa quantidade de “Hospices”, hospitais especializados em tratamento de pacientes em estágio terminal, os quais são majoritariamente entidades privadas onerosíssimas, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Dessa forma, um tratamento justo e empático torna-se um privilégio caro e escasso para os brasileiros, uma realidade maldosa e vergonhosa que precisa ser mudada.
Para além disso, a angústia humana em relação ao irreversível permeou a história das civilizações. Seja com a “Peste” durante a Idade Média, seja com o câncer na contemporaneidade, aliviar o sofrimento foi o princípio da medicina de Hipocrates, pai dessa ciência. Não é a toa que referências do cuidado paliativo, como a Dra. Ana Claudia Quitana autora do livro “Morte, um dia que vale a pena viver”, frequentemente lutam pela universalização de tratamentos mais humanizados no país. Por isso, a falta de abrangência desse dessa modalidade médica não é apenas um erro de gestão na saúde pública brasileira, mas sim um sinal de descaso para com a dignidade humana em sua situação de maior fragilidade.
Diante desse cenário, valorar a vida humana precisa nortear as novas políticas de saúde do Brasil. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde deve criar um programa de ampliação de tratamento paliativo - tanto com “Hospices” públicos em todas as capitais quanto com investimentos em bolsas de residência multiprofissional nessa área- por meio de uma união entre especialistas em medicina paliativa brasileiros e gestores de saúde do governo, para que esse tipo de cuidado não seja mais uma cara exceção e sim padrão do SUS.