A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 16/11/2021

O livro " A morte é um dia que vale a pena ser vivido", de Ana Claudia Arantes aborda a questão da importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves e os impactos positivos na vida desses pacientes de forma holística. Nesse ínterim, é inegável que há estigmas relacionados à tais cuidados, quadro que acarreta em redução da qualidade de vida remanescente do paciente, que é digno do melhor tratamento em seus últimos momentos de vida. Nesse sentido, tal problemática ocorre, ora por falha na educação de futuros profissionais da saúde, ora por ausência de senso crítico da sociedade. Diante disso, é imprescindível combater as mazelas que envolvem esse trágico cenário.

Em primeira análise, o panorama supracitado é corroborado pela falha na formação educacional de futuros profissionais da saúde em relação a questão dos cuidados paliativos. O ex-presidente Nelson Mandela já afirmou: " A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo", logo, a carência desse conhecimento acarreta em graves desfechos na vida do profissional que não possuirá repertório suficiente para lidar com as situações do cotidiano. Além disso, as consequências afetam diretamente a sobrevida do paciente, visto que o psicológico abalado pelo contexto em que ele está inserido, somado a condução inadequada do profissional, acarretam em sofrimento  físico e mental. Destarte, é profícuo o uso de medidas para combater esse imbate.

Outrossim, um fator a ser apontado é a ausência de senso crítico da sociedade perante a essa questão. Nesse sentido, o conceito de modernidade líquida proposto pelo sociólogo Zygmunt Bauman afirma que os indivíduos se preocupam demasiadamente com questões efêmeras, deixando em segundo plano o primordial, como a reflexão da relevância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves. A carência de análise acerca desses cuidados advem da falta de humanização presente na sociedade observada no livro supracitado no qual Arantes cita a falta de valor que os indivíduos oferecem aos pacientes nessas condições, mencionando que não há mais nada a fazer, porém na realidade, enquanto há vida, existe o direito a saúde e a felicidade que são passíveis de ocorrerem com os cuidados paliativos adequados.

Depreende-se, portanto, que providências devem ser tomadas para mitigar o lamentável entrave abordado. Desse modo, é mister que o Ministério da Saúde crie um plano nacional de incentivo a implementação de videoaulas que abordem esse tema. Isso deve ser realizado por meio de verbas governamentais direcionadas à campanhas nos meios midiáticos, com o fito de que os cidadãos conscientizem-se da importância dos cuidados no fim da vida. Assim, se tais medidas forem tomadas, a importância denotada por Arantes seria compreendida e a qualidade de vida do paciente ampliada.