A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 14/01/2022

A morte de Ivan Ilitch, livro de Liev Tolstói, acompanha experiências de um magistrado durante um período de terminalidade, em que se vê diante do descaso da equpe médica.  Todavia, apesar de ser um escrito ficcional, tal realidade apresentada é similar ao contexto brasileiro, devido a carência de cuidados paliativos para pacientes de doenças progressivas. Destarte, destaca-se o silenciamento dessa prática e a ausência de políticas públi-cas como fatores que inviabilizam a democratização do paliativismo.

Sob esse viés, ressalta-se uma evidente falta de informações sobre as medidas que visam mitigar o sofrimento de vítimas de doenças graves. Nessa situação, Platão, filósofo grego, narrou o intitulado " Mito da Caver-na", no qual homens, acorrentados em uma caverna, viam somente som-bras em uma parede, e acreditavam, por conseguinte, que aquela era a realidade das coisas. Desse modo, analogamente a metáfora, a sociedade ignorante rejeita debater sobre a importância dos cuidados paliativos e assim, desperdiça sua potencialidades espirituais e socioemocionais.

Outrossim,  o Estado não investe em ações nessa área, falhando com o seu papel de garantir o bem-estar dos cidadãos. Nesse sentido, consoante o Art. 196 da Constituição federal de 1988, o sistema de saúde do país deve atuar na redução de riscos, promoção, proteção e, em última instân-cia, na recuperação de doenças. Diante desse exposto, evidencia-se que o governo prioriza uma medicina curativa, que submete o doente a procedi-mentos vis, além de apresentar um elevado custo. Nessa pespectiva, o paliativismo proporcionaria um final de vida digno e sem sofrimento.

Portanto, com o objetivo de conscientizar a população, urge que o Ministério da Saúde elabore ações informativas. Dessa maneira, por meio de campanhas vinculadas à mídia  -  estreladas por médicos respeitados, como o  Dr. Dráuzio Varella - será possível disseminar a relevância dessa área. Ademais, o Ministério da Educação deve implantar nas grades curri-culares dos cursos de saúde a máteria de cuidados paliativos. Dessa forma, a situação cruel do livro supracitado tratará apenas de ficção.