A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 26/02/2022

“O importante não é por quanto tempo viverás, mas que qualidade de vida terás.” Essa frase, do pensador Sêneca, remonta ao fato de que a qualidade é mais relevante que a quantidade. Na sociedade brasileira atual, indivíduos com doenças graves têm optado pelos cuidados paliativos, que, de forma análoga a citação, priorizam o conforto dos pacientes. Dessa forma, dada a importância desse tipo de tratamento, vale-se debater acerca de contornos que envolvem a questão, são eles: a priorização do bem-estar e o diagnóstico tardio por conta de questões psicoemocionais.

Precipuamente, é fulcral pontuar o objetivo principal da adoção dos cuidados paliativos. A série televisiva americana “Grey’s Anatomy” conta a história de uma moça, que ao descobrir um câncer cerebral, optou por tratamentos paliativos em oposição à cirurgia cerebral que lhe daria 30% de chance de sobrevivência e havia sido indicada pelos médicos pois queria viajar para o Brasil. De semelhante modo ao exposto na obra, pacientes associados a doenças de caráter fatal escolhem tratamentos paliativos que, apesar de não os oferecerem cura, aliviam o sofrimento e atuam como inibidores dos possíveis sintomas provindos da enfermidade. Nesse sentido, o principal foco desse método é entender e executar as necessidades dos pacientes de forma individual, visto que, no setor dos cuidados paliativos, a morte é compreendida como fenômeno de caráter natural provindo do curso da vida.

Ademais, é imperativo ressaltar a má preparação emocional dos profissionais da saúde, o que acarreta mais sofrimento aos pacientes. O curso de Medicina, no Brasil, têm duração de seis anos e não há nem mesmo um período voltado às questões de natureza emocional que visam preparar os profissionais para situações em que necessitarão “desistir” dos tratamentos convencionais, fato que deixa uma grande lacuna na formação profissional dos médicos brasileiros. Dessa forma, por conta de dúvidas não esclarecidas, o diagnóstico tardio é fato corriqueiro e põe pacientes sob procedimentos invasivos que têm minímas chances de funcionar. Logo, o paciente, já debilitado por conta da doença, é privado de seus últimos momentos de bem-estar.

Portanto, medidas estratégicas são necessárias para resolver o impasse. Assim, o Ministério da Saúde, em parceria com as secretarias de saúde estaduais, deverá propor a criação da campanha “Preparação psicológica para trabalhadores da sáude” por meio de um projeto de lei entregue à câmara dos deputados. Essa campanha acrescentará no curso das áreas que envolvem a saúde módulos voltados ao trabalho psicológico e emocional dos profissionais a fim de que se preparem para o momento da morte e o encare de forma profissional. Além disso, contará com a participação de médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos em “workshops” para que esses, providos de experiência, possam transmití-la aos estudantes. Espera-se, com essas medidas, que os pacientes com doenças graves tenham pleno acesso ao cuidados paliativos e que os profissionais possam priorizar a qualidade de vida dos indivíduos. v