A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves
Enviada em 30/06/2022
O livro, “O caçador de pipas”, mostra como os cuidados da personagem Soraya foram necessários para o alívio dos sofrimentos causados na vida de seu sogro por um câncer terminal. Fora da ficção, os cuidados paliativos permanecem extremamente importantes para indivíduos com doenças graves. No entanto, o oferecimento desse serviço é precário no Brasil, seja pela falta de preparo dos profissionais de saúde, seja pela infraestrutura hospitalar inadequada.
Antes de tudo, é preciso observar a formação dos médicos no país. Nesse sentido, dados da Folha de São Paulo apontam que as disciplinas relacionadas aos cuidados paliativos são obrigatórias em apenas 6% dos cursos de medicina no território nacional. Com isso, muitos profissionais da área concluem a formação pouco familiarizados com as maneiras adequadas para prevenção e alívio do sofrimento em casos de doenças progressivas. Consequentemente, tornam-se escassas as equipes de assistência necessárias para o oferecimento desses cuidados, prejudicando a qualidade de morte dos pacientes em questão.
Outrossim, é válido pontuar os problemas na infraestrutura das instituições de saúde. Sob esse viés, a Academia Nacional de Cuidados Paliativos informa que menos de 10% dos hospitais públicos são contemplados com esse serviço. Tal fator ocorre, não só em função da supracitada escassez de profissionais aptos, mas também em decorrência da falta de leitos, equipamentos para internação e medicamentos analgésicos essenciais (como a morfina). Assim, o descaso com a saúde pública impede o bem-estar dos cidadãos com doenças em estágio terminal.
Portanto, faz-se mister reverter o quadro atual. Para tal, é preciso que os cursos de medicina tenham disciplinas obrigatórias sobre cuidados paliativos. Além disso, cabe ao governo, na condição de garantidor dos direitos individuais, promover melhorias na infraestrutura hospitalar, por meio de investimentos financeiros destinados à compra dos equipamentos e fármacos necessários para a garantia desse serviço. Desse modo, os hospitais estarão capacitados para oferecer os cuidados paliativos, melhorando o conforto dos pacientes. Por fim, histórias como a de Soraya e seu sogro se tornarão mais comuns no Brasil.