A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves
Enviada em 09/08/2022
O conceito de “Cidadanias Mutiladas”, do geógrafo Milton Santos, explicita que a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade da população. A partir dessa perspectiva, é possível observar que a realidade contemporânea se distancia desse ideal democrático, visto que a omissão da importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves ainda é existente no Brasil. Desse modo, é essencial analisar os principais propulsores desse contexto hostil: a ineficácia do Estado e a falta de consciência da comunidade.
A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa os péssimos cuidados paliativos. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmont Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Face a isso, têm-se os hospitais públicos que segundo o Datafolha menos de 10% fornece equipes para cuidados paliativos no Brasil, dessa forma, está presente na sociedade, mas não oferece a assistência necessária. Nessa perspectiva, para a completa refutação do sociólogo e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível a intervenção estatal.
Outrossim, uma comunidade que não se importa com os cuidados paliativos, e não busca a evolução sobre esses empecilhos impostos, representa um retrocesso da coletividade que preza por igualdade. Nesse sentido, na teoria de percepção do estado na sociedade, de Émile Durkheim, sociólogo francês, abrangem-se em duas divisões: “normal e patológico”. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com seu desenvolvimento, visto que um sistema desigual não favorece o progresso coletivo. Dessa forma, a incapacidade do profissional da saúde e da sociedade em cuidar dos indivíduos nessa situação de enfermidade, a democratização torna-se inviável.
Portanto, são necessárias medidas capazes de instruir sobre a importância dos cuidados paliativos. Por isso, o Ministério Público deve, por meio da fiscalização da aplicação dos poderes estatais, pressionar o Estado no que se refere ao aporte que oferta as equipes saúde e as estruturas dos hospitais, a fim que os cuidados paliativos seja ampliado para as diversas regiões do país. Paralelamente, é imperativo que a conscientização da população atue em conjunto, a fim de ensinar acerca da importância dos cuidados paliativos dos enfermos. Assim, o ideal do geógrafo Milton Santos será, de fato, uma realidade no país.