A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves
Enviada em 17/08/2022
A música “Que país é este? ”, da banda Legião Urbana, no trecho: “ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”, faz uma denúncia acerca de diversos problemas sociais, entre os quais se destaca a falta de cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves. Esse problema é causado, principalmente, pela ineficácia governamental e pela má influência midiática.
Sob esse viés, é lícito referenciar o jornalista Gilberto Dimenstein, que, em sua obra “Cidadão de Papel”, retrata um cidadão com direitos adquiridos, porém não usufruídos pela falta de condições oferecidas pelo Estado. Desse modo, no Brasil, pode-se perceber que o cenário proposto pelo jornalista pode ser aplicado à falta de cuidados paliativos, uma vez que a ineficiência governamental faz com que não haja projetos efetivos de incentivo a esses cuidados em pessoas com doenças graves. A partir disso, observa-se a falta de conhecimento de muitos profissionais sobre os cuidados paliativos e para os pacientes a presença constante do sofrimento.
Além disso, de acordo com o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Percebe-se, então, que a mídia, em vez de proporcionar discussões que aumentem o nível de informação da população acerca da importância dos cuidados paliativos em casos clínicos graves, não aborda esse tipo de conteúdo, uma vez que a mídia lucraria pouco com esse tipo de debate. Observa-se, dessa forma, a mídia indo de encontro ao cenário descrito pelo filósofo.
Portanto, para estimular os cuidados paliativos no Brasil, o governo federal deve instituir um comitê gestor para direcionar mais verbas a projetos de capacitação de profissionais e para campanhas informativas realizadas por meio de curta-metragens e de vídeos lúdicos. Diante disso, os conteúdos serão disponibilizados gratuitamente em plataformas de fácil acesso, como o Youtube. Isso será realizado a fim de remediar não somente a ineficiência governamental, mas também o silenciamento midiático.