A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves
Enviada em 30/10/2023
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, cuidados paliativos são medidas médicas que visam oferecer dignidade e atenuação de sofrimento para pacientes terminais. Contudo, apesar da importância da prática, o fato de a medicina atual ser marcada pelo imediatismo e pela ausência da alteridade, corrobora para que o paliativismo não ocorra.
Em primeiro plano, segundo o sociólogo Anthony Giddens, os governos sempre buscam por políticas públicas que resolvam problemas à curto prazo. Nesse contexto, nota-se que a saúde atual é focada no tratamento de doenças, e não em dar qualidade de vida para o sujeito enquanto ele passa por intervenções invasivas, como uma quimioterapia. Assim, há uma desumanização do indivíduo, o qual não recebe a assistência necessária, ou até mesmo é abandonado pela equipe hospitalar quando adentra em estágio terminal.
Ademais, a formação de profissionais cada vez menos empáticos dificulta a atenção humanitária para os pacientes com doenças graves. Sob esse viés, nota-se um foco crescente das faculdades de medicina na técnica e não no desenvolvimento também da empatia dos fututos médicos. Dessa forma, esses enfermos passam a ser definidos pela doença que possuem, e não por sua humanidade. Em consonância com isso, o livro “Histórias lindas de morrer”, da médica paliativista Ana Cláudia Quintana, retrata o momento em que ela se afasta por alguns meses da graduação, por lidar com pacientes terminais e perceber a falta de alteridade e delicadeza do ensino técnico para com essas pessoas.
Portanto, para que os cuidados paliativos se tornem uma realidade no sistema de saúde, é necessário ação. ONGs, em parceria com faculdades de medicina, com o intuito de humanizar o estágio final da vida de alguns indivíduos, devem, por meio da criação de projetos que visem atenuar a dor, e fornecer apoio psicológico para os enfernos e seus familiares, apoiar esses cidadãos e tornar esse momento menos difícil, aumentando assim, a qualidade de vida dos indivíduos. Já o Governo, por meio da ampliação de disciplinas humanitárias na grade curricular do curso de medicina, como Ética, e criação de matérias como Alteridade, devem desenvolver nos fututos profissionais da saúde o exercício da empatia.