A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves
Enviada em 18/11/2022
No romance Hanói, de Adriana Lisboa, é possível acompanhar a história de David: um músico que descobre ter uma doença incurável. Na obra literária, a autora carioca mostra a importância da amizade e dos cuidados paliativos para as pessoas que se veem, repentinamente, de frente para a indesejada das gentes. Assim, defende-se que é primordial o suporte da família, amigos e de uma equipe multidisciplinar para dar suporte aos que são diagnosticados como portadores de doenças graves ou mesmo fatais.
Nesse sentido, deve-se lembrar que a psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross dedicou parte de sua vida a estudar pacientes que foram desenganados pela ciência. No livro “Sobre a morte e o morrer”, essa médica descreve e analisa as cinco fases por que passam os moribundos: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Deste modo, deixa claro a importância de o paciente receber atendimento especializado e a atenção dos entes queridos ao longo do processo, já que, no período em que se vivencia as referidas fases, o doente enfrenta tremenda pressão psicológica, principalmente quando ainda está na fase da negação e da raiva.
Outrossim, na ficção, Adriana Lisboa trata das dificuldades que não só o paciente enfrenta, como também a inabilidade dos profissionais de saúde em facilitar a vida dos doentes. Por isso, não raro, os médicos apelam para procedimentos invasivos e desnecessários, pois também não estão preparados para aceitar a morte. Ou seja, consequentemente é como se os próprios profissionais de saúde também vivenciassem a fase da barganha, uma vez que apelam para procedimentos fadados ao fracasso apenas para não reconhecer o fracasso da ciência.
Portanto, é mister que o Ministério da Saúde crie cursos obrigatórios de capacitação para os profissionais que cuidam de doentes graves ou incuráveis. Para isso, deve conjugar o suporte de psicólogos com experiência em técnicas de cuidados paliativos. Ademais, paralelamente, deve criar campanhas publicitárias a serem veiculadas em hospitais e clínicas que conscientizem os pacientes de que é necessário conversar sobre a morte e o morrer. Logo, será possível que esses indivíduos atinjam a fase da aceitação. Desse modo, vence-se a fase da depressão com o amparo da família e amigos da mesma forma como a personagem David.