A importância dos estímulos na primeira infância

Enviada em 29/07/2021

Um estudo realizado com crianças europeias institucionalizadas no final do século XX foi responsável por significativas descobertas sobre a infância, uma vez que relacionou a falta de estímulos e de vínculos afetivos concretos nos primeiros meses de vida a uma severa deficiência social. O trabalho é de importância ímpar por demonstrar uma problemática pouco discutida na época e, também, atualmente: a necessidade de estímulos na primeira infância para a formação de cidadãos aptos para a vida em sociedade. Com base nisso, é possível afirmar a urgência de um olhar atento e coletivo para a infância e tudo que a involve, dado seu sumário papel para o avanço de um povo.

À priori, a preciso a vizualização de repetições na vida adulta de padrões sociais absolvidos na inância e seus impactos. Ainda em 2021, o caso de Elias, de seis anos, morto pelo pai ao ser brutalmente agredido após apresentar dificuldades com seu dever de casa, foi um triste retrato de uma questão que perdura no Brasil - a violência infantil. Para além do âmbito indiviudal,  tal problemática torna-se de interesse coletivo quando é pautada a alta chance da replicação de noções autoritárias e violentas, advindas de uma criação ditatorial, na vida pública da criança que encara tal situação. Contrário a isso, portanto, são necessários estímulos positivos em tal fase para que, no futuro, possam haver, então, cidadãos preparados para o respeito na vida em comunidade, ao invés do oposto.

Por conta disso, logo, a infância deve ser uma responsabilidade coletiva, dado seu impacto social. Reafirmando tal concepção, podem ser citados saberes de povos tradicionais que trazem consigo o zelo pela infância, como é o caso do ditado Iorubá que aponta a necessidade de uma aldeia inteira para a criação de uma única criança e, também, da visão de diversos povos indígenas brasileiros, que enxergam os mais jovens como sementes do próprio povo. É nessa lógica, inclusive, que o ECA friza a infância como um dever não só da família, mas de toda a sociedade, visto que a formação de futuros cidadãos deve ser uma preocupação e uma tarefa comum a toda a população de uma comunidade.

Em suma, traçado tal cenário, é visível como urge a maior circulação de informações sobre modelos de criações neurocompatíveis com a infância, que incluam estímulos positivos e violência nula, para toda a população brasileira. Para tanto, o Ministério da Saúde deve estabelecer um número maior e obrigatório de psicopedagogos e psicólogos em todas as Unidades Básicas de Saúde do Estado para atendimento clínico e realização de oficinas e palestras para a comunidade local, a fim de maior conscientização acerca da infância, além da distribuição livre de cartilhas e conteúdos midiáticos que abranjam o tema. Assim, uma primeira infância saudável e respeitosa será uma realidade comum a mais crianças brasileiras, futuros cidadãos, trazendo o avanço ao país como um todo.