A importância dos estímulos na primeira infância

Enviada em 29/07/2021

A Constituição Cidadã de 1988 determina a importância da colaboração entre o Estado e a família na proteção à criança, atribuindo-a absoluta prioridade no que tange à salvaguarda de direitos. Isso posto, coloca-se em pauta, no hodierno pátrio, a importância dos estímulos na primeira infância, retomando diretrizes constitucionais e evidenciando a relevância para vivência coletiva do indivíduo. Nesse sentido, cabe a análise acerca da estrutura educacional na construção individual das crianças, além da observação relativa à mediação estatal na problemática.

Em primeiro plano, em consonância com Immanuel Kant, sob as trajetórias socioeducativas dos indi-víduos recaem os males civilizacionais. Nessa perspectiva, cabe a compreensão da magnitude agregada à estruturação psicossocial nos anos iniciais de vida, destacando os impactos, a longo prazo, que essa possui na organização social — tendo em vista que os meninos e meninas brasileiros tornar-se-ão pro-fissionais, educadores, políticos e pais das próximas gerações. Dessa forma, retoma-se o prefácio do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), ressaltando que as crianças configuram-se como vítimas ma-is suscetíveis à omissão da família, sociedade e governos, sendo negados a elas, frequentemente, o exercício dos direitos fundamentais e condições para o pleno desenvolvimento, rompendo assim com as diretrizes constitucionais.

Paralelo a isso, segundo Thomas Hobbes, cabe ao Estado a construção de um ambiente favorável para o desenvolvimento dos seus tutelados, em especial àqueles que não têm a capacidade de cuidar de si mesmos. Sob a lógica hobbesiana, a figura do governante possui a competência de orientar os rumos sociais, atribuindo a essa entidade o dever de estimular e instruir às relações humanas, inclusive familiares. Nessa perspectiva, atribui-se ao Estado o papel de demonstrar a relevância dos estímulos e proteção na primeira infância, promovendo o bem-estar geral e possibilitando qualidade de vida aos herdeiros do território pátrio.

Portanto, é imprescindível a intervenção no processo instrucional nos primeiros anos de vida, salien-tando a necessidade de correções de estímulos e hábitos. Assim, cabe ao Ministério da Educação, em ação intersetorial com as Secretarias Estaduais de Ação Social, promover nas Universidades Públicas do país — voltando-se aos cursos de Ciências Sociais, Psicologia e Pedagogia — pesquisas quali-quan-titativas voltadas ao estudo da educação parental, atendo-se a construção de alternativas para a ins-trução dos educadores primários, centradas na criação de mini-cursos gratuitos e cartilhas de inter-venção no quadro problemático. A partir dessa ação, tornar-se-á possível a elaboração de ações inte-grativas e objetivas que emergiram do debate especializado, promovido por pesquisas responsáveis.