A importância dos estímulos na primeira infância
Enviada em 31/07/2021
Durante a infância muitos artistas tiveram contato com aquilo que mais tarde seria sua profissão. Por exemplo, Stefani Germanotta, mais conhecida como Lady Gaga, iniciou as aulas de piano aos quatro anos, já Pablo Picasso começou a pintar quadros aos oito. Apesar do contexto socioeconômico distante da realidade brasileira, estimular crianças a se dedicarem a arte, esportes ou até mesmo em questões intelectuais não deve ser algo exclusivo de pessoas notáveis, mas sim algo comum a todos. Por isso, é necessário que o Estado e os tutores comecem a primar pela qualidade dos incentivos dados aos brasileiros durante a fase mais importante da vida: a primeira infância.
Nesse contexto, a psicanálise é fundamental para explicar o porquê da influência dos estímulos serem maiores durante os primeiros anos de vida. Isso pois, essa vertente explicitou, ainda no século XX, que as características de personalidade são formadas até a idade de cinco anos e questões relacionadas ao caráter do indivíduo são moldadas a partir dos hábitos adquiridos em períodos próximos a esses. Desse modo, a depender do que for exposta, a criança pode desenvolver ou não determinadas inteligências, como a capacidade criativa dos artistas citados. Porém, estímulos negativos são tão influentes quanto os positivos e esse fato, infelizmente, tem sido negligenciado pelo poder público e familiares desinformados.
Por esse viés, apesar da psicologia e da pedagogia brasileira terem ciência do poder formador das incitações e sugestões, as políticas governamentais de educação parecem ignorar esse fato. Visto que, a Base Curricular Comum (BCC) ao uniformizar em todo o Brasil o que deve ser ensinado, não só ignora particularidades locais das regiões, como também aplica, durante toda a vida estudantil, uma espécie de “cama de Procusto” que “corta” e “deforma” as habilidades individuais, tal qual Procusto fazia com suas vítimas que não se encaixavam no padrão proposto por ele. Com isso, exigir um conhecimento de pais ou outros tutores sobre a questão dos estímulos durante a infância é no mínimo desonesto, já que o Estado permanece alheio a essa temática.
Diante do exposto, é preciso transformar essa realidade vivida no Brasil. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação deve promover campanhas nacionais, voltada para familiares, que informe sobre a importância dos estímulos durante a infância para que leigos também possam auxiliar na plena formação das crianças. Somado a isso, o Estado, munido de suas secretarias e especialistas, deve reformular o BCC, por meio de uma flexibilização que permita mais liberdade para os educadores e alunos, com o intuito de valorar as habilidades dos brasileiros e desenvolver os bons hábitos desses novos cidadãos.