A importância dos estímulos na primeira infância
Enviada em 02/09/2021
Após sancionar a lei do Marco Legal da Primeira Infância, em 2016, o Brasil foi reconhecido como o primeiro país a reconhecer as necessidades das crianças de até seis anos e os deveres do Estado e de cuidadores frente a esse grupo. Tal preceito normativo assegura o direito ao brincar e ao cuidado, além do respeito à individualidade, garantias que demonstram a importância dos estímulos na primeira infância, que, apesar da sua essencialidade, é costumeiramente negligenciada na conjuntura contemporânea do Brasil. Cabe salientar, a princípio, as razões que conferem tal grandiosa importância às interações entre as crianças e o ambiente que as engloba. Nesse contexto, a estudo “Núcleo Ciência pela Infância”, realizado em 2013 pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), revela a influência da primeira infância sobre os circuitos cerebrais, os quais são mediados diretamente pela qualidade das relações socioafetivas vivenciadas nesta fase do desenvolvimento. Fora tal aspecto, a pesquisa aponta que a aquisição de habilidades complexas, após os seis anos, dependem desses circuitos neurológicos. Percebe-se, dessa forma, como os estímulos são estritamente necessários para garantir um desenvolver adequado em médio e longo prazo às crianças. No entanto, a importância dessas atividades e interações não são valorizadas de forma unânime por pais e responsáveis, fato que acarreta intensos prejuízos ao indivíduo em formação. Evidencia-se, em segundo lugar, que o desconhecimento e o descaso pela magnitude dos estímulos para as crianças em primeira infância esgueiram-se principalmente na questão do trabalho dentro da realidade contemporânea brasileira. Afirma-se isso, pois a extrema valorização do labor e da produtividade resultam em uma rotina, para os progenitores, de reduzido tempo para atividades com os filhos – como a leitura e os jogos infantis – e os faz sucumbir a substituições inadequadas, normalmente tecnológicas – por exemplo, o uso de “tablets” e “smartphones” para criar uma distração–. Tal prática, apesar de comum, interfere no desenvolver da fase primordial infantil, uma vez que diminui as interações sociais e os estímulos intelectuais, o que, como apresentado pelo Insper, constituem pilares importantes para as habilidades cognitivas futuras. Assim, a carência de estímulos pode potencialmente resultar em um cidadão subdesenvolvido, realidade que expressa a urgência de informar os brasileiros acerca dessa temática.