A importância dos estímulos na primeira infância
Enviada em 24/08/2021
A Constituição Federal de 1988 prevê a educação como um direito inerente ao cidadão brasileiro. Todavia, isso não acontece quando se observa a importância dos estímulos na primeira infância. A falta de conscientização da população sobre a necessidade de estímulos na primeira infância ocorre devido a não democratização do capital cultural na sociedade brasileira e fere as liberdades substantivas dos cidadãos. Logo, é importante analisar os fatores que favorecem esse quadro.
Primeiramente, cabe destacar a falta de medidadas do governo em conscientizar a população sobre a importância dos estímulos na primeira infância, como brincar e ler livros. Devido ao descasso de alguns governos com a educação pública brasileira, a escola não consegue formar alunos conscientes sobre as necessidades das crianças - que são negligenciadas e, por isso, não desenvolvem certas habilidades. Esse quadro, segundo o economista Amartya Sen, fere as liberdades substantivas dos cidadãos brasileiros, já que não é garantida educação de qualidade para a população. Dessa maneira, esse triste cenário gera crianças subdesenvolvidas no âmbito emocional e cognitivo.
Ademais, é importante apontar a não democratização do capital cultural como impulsionador desse quadro. Segundo o sociólogo Jessé Souza, o capital cultural - educação de qualidade que garante acesso a bons empregos - é exclusivo de uma classe social. Consequentemente, somente uma parcela da sociedade brasileira é devidamente educada e conscientizada sobre a importância de estímulos na infância. Assim, segundo o sociólogo, cria-se uma reação em cadeia em que filhos de pessoas que não receberem a devida educação não são estimulados e, por consequência, não fomentam a educação de seus filhos - fato que, felizemente, pode ser revertido por meio da democratização do capital cultural.
Portanto, a fim de garantir os estímulos necessários na primeira infância dos jovens, a sociedade brasileira, que segundo Sen é privada de suas liberdades substantivas, deve exigir a democratização do capital cultural no Brasil. Isso pode ser feito por meio de manifestações em prol de mais investimentos na educação pública, único meio de quebrar aquela triste reação em cadeia. Enfim, caso a população tenha seu direito constitucional garantido, a geração vindoura será devidamente estimulada e educada, atingindo seu maior potencial.