A importância dos estímulos na primeira infância

Enviada em 30/08/2021

No documentário ‘‘O começo da vida’’, de 2016, é ilustrada a importância da primeira infância na vida de um indivíduo, que se traduz como o período entre o nascimento até os seis anos de idade. Nesse sentido, os estímulos ocasionados durante esse estágio agem como alicerce na construção socioemocional do ser-humano, caracterizando-se como uma fase crucial. Entretanto, existem dois principais obstáculos no Brasil que contribuem com a atrofia desses estímulos tão revelantes na vida dos brasileiros: a ineficiência dos mecanismos estatais na formação primária das crianças e o engessamento dos meios legislativos que garantem o direito à educação de base. Logo, tais barreiras devem ser combatidas, a fim de atenuar essa problemática.

Em primeira análise, deve-se pontuar a importância de espaços produtivos em relação à formação individual da criança no meio escolar. Por exemplo, de acordo com estudos revelados durante o documentário citado, os primeiros anos de vida de um indivíduo são marcados por experiências que constituem suas percepções físicas iniciais. No entanto, o atual sistema educacional brasileiro é ineficaz no tocante à produção de ambientes que fometem esse instinto infantil. Logo, esse cenário pode ser compreendido através do conceito das ‘‘Instituições Fantasmas’’ do sociólogo Zygmunt Bauman, que sintetiza as contrariedades existentes na ineficiência das organizações estatais, não suprindo as necessidades reais da sociedade.

Outrossim, as esferas legislativas se revelam como outro fator contribuinte nessa problemática no Brasil. Nesse âmbito, a história nacional da educação de base confirma essa barreira, visto que somente na segunda metade do século XX, em 1996, o governo do país reconheceu oficialmente como um direito a existência de creches e pré-escolas para as crianças de zero até os seis anos de idade. Dessa forma, é indubitável a prematuridade das normas efetivas no território nacional, tendo em vista que o epicentro das mudanças educacionais se concentra no poder público.

Portanto, para que a primeira infância seja valorizada no Brasil, é mister que o Ministério da Educação crie programas que modernizem e ampliem as possibilidades de estímulos socioemocionais dentro das salas de aula. Tais objetivos poderiam ser atingidos por meio de dinâmicas com a partipação de familiares das crianças no meio escolar, por exemplo. Dessa forma, o processo de formação dos brasileiros seria edificado, na medida em que os mecanismos e os planos governamentais potencializassem esse estágio crucial, como abordado em ‘‘O começo da vida’’.