A importância dos estímulos na primeira infância

Enviada em 22/09/2021

Na obra “O Espírito das Leis”, Montesquieu enfatizou que é preciso analisar as relações sociais existentes em uma população para, assim, aplicar as diretrizes legais e abonar o progresso coletivo. No entanto, ao observar os estímulos na primeira infância, certifica-se que a teoria do filósofo diverge da realidade brasileira, haja vista a persistência da desvalorização de tal prática, que é essencial no desenvolvimento individual e do corpo social, fato que impede a ascensão do Estado. Com efeito, fica clara a necessidade de enunciar os aspectos socioculturais e  a insuficiência legislativa como pilares fundamentais da problemática.

Primeiramente, é importante destacar o fator grupal. Conforme o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa - ou seja, o diálogo - constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Sob essa óptica, a falta de incentivo ao debate a respeito dos benefícios da estimulação das crianças desde novas, como também do impacto de sua falta, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, ocasiona negligência na formação dos cidadãos, ao passo que a população começa a agir com o senso comum, carecendo de visões críticas acerca da relação com a primeira infância. Dessa maneira, discutir criticamente sobre o tema é o primeiro passo para o progresso sociocultural habermaseano.

Ademais, merece atenção a esfera constitucional. Segundo Jean-Jacques Rousseau, os cidadãos cedem parte da liberdade adquirida na circunstância natural para que o Estado garanta direitos intransigentes. A falta de medidas que visem mostrar à população a importância do acompanhamento aos indivíduos em formação, como também da assistência aos pais, porém, contrasta a concepção do pensador na medida em que esse cenário rompe com a cidadania, pois os cidadãos não são capazes de realizarem seus deveres, como também de obter acesso a informação, que é um direito universal. Dessa forma, ações precisam ser tomadas pelas autoridades competentes com o fito de mitigar o revés.

Logo, é evidente que a temática é um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Portanto, a mídia, por intermédio de programas televisivos, irá discorrer o assunto com pedagogos e psicólogos, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema, apresentar visão crítica e orientar o público a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações, ao incluir o projeto nas Diretrizes Orçamentárias. Desse modo, com a deliberação de Habermas e a justiça de Rousseau, a sociedade terá o progresso social concretizado, como enfatizou Montesquieu.