A importância dos estímulos na primeira infância
Enviada em 14/10/2021
O Estatuto da Criança e do Adolescente, promulgado em 1990, prevê em seu capítulo I, o direito a proteção à saúde mediante políticas sociais que permitam o desenvolvimento de toda criança brasileira. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando ainda se observa a necessidade de se discutir a importância dos estímulos na primeira infância. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar que a primeira infância, período que compreende os primeiros seis anos de vida, apresenta os principais marcos do desenvolvimento da vida de um indivíduo. Nesse sentido, segundo o escritor Daniel Siegel no livro O Cérebro da Criança, as crianças aprendem mais nesses primeiros anos do que aprenderão no resto das suas vidas. Isso significa que têm elas uma elevada capacidade cerebral devido a plasticidade neurológica e os estímulos adequados, tais como músicas, brinquedos e afetuosidade parental, serão essenciais no funcionamento cognitivo a longo prazo.
Ademais, é fundamental apontar as condições sociais como obstáculos para o desenvolvimento infantil, principalmente durante a primeira infância. Nesse contexto, dados da Agência Brasil apontam que, em 2018, mais de 40% das crianças e adolescentes encontram-se em situação de extrema pobreza no país. A falta de condições básicas de vida, a carência alimentar, a desnutrição e a exposição à violência doméstica tendem a comprometer o desenvolvimento cognitivo das crianças mais jovens, uma vez que a necessidade de subsistência se sobrepõe às particularidades desse grupo etário.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se intervir efetivamente nesse cenário. Para isso, é imprescindível que os Ministérios da Saúde e da Educação, por intermédio da Atenção Primária em Saúde, desenvolva dinâmicas com os casais grávidos a fim de ensiná-los a utilizar ferramentas adequadas para estimular seus filhos em cada um dos períodos da primeira infância. Além disso, deve-se identificar as crianças em vulnerabilidade nutricional, de acordo com a avaliação nutricional, e provê-las mensalmente de uma cesta básica contendo alimentos adequados às demandas metabólicas delas. Dessa forma, se consolidará uma sociedade que protege a infância brasileira e finalmente atenderá às premissas do Estatuto promulgado há mais de três décadas.