A importância dos estímulos na primeira infância
Enviada em 19/11/2021
O filme “Mãos Talentosas” conta a história do notório neurocirurgião Benjamin Carson que, ao ter sido exposto à leitura e aos cuidados de sua mãe quando criança, teve sua inteligência, confiança e relação interpessoal transformadas. Ao realizar um paralelo com a contemporaneidade, percebe-se que, o contato entre pais e filhos está cada vez menor na primeira infância, haja visto que, as novas tecnologias ganharam um papel educacional e de entretenimento. A partir disso, é necessário pontuar a importância dos estímulos nas primeiras idades, principalmente no âmbito familiar, para o desenvolvimento crítico infantil e para a aproximação entre as crianças e seus parentais.
É fundamental, de início, compreender que a falta de incentivos educacionais na infância, juntamente, com o uso excessivo de aparelhos eletrônicos, têm contribuído para a defasagem cognitiva. Isso porque essa combinação — como é retratado nas práticas de leitura realizadas por Liesel Meninger e seu pai adotivo no filme “A Menina Que Roubava Livros” — não impulsiona, por ser um método passivo de funcionamento cerebral, a formação de uma cadeia lógica de raciocínio. Por conseguinte, os mais jovens crescem sem ter um bom senso crítico e discernimento sobre a realidade. Essa situação pode ser respaldada pelo estudo realizado pela BEIP (Programa de Intervenção Precoce de Bucareste), o qual afirma que os aprendizados realizados até os seis anos de idade são fundamentais para toda a vida.
Observa-se, também, que a ausência de interação entre pais e filhos dificulta o acirramento dos laços familiares e o desenvolvimento pessoal. Isso acontece devido à carência de afeto, carinho e diversão que, normalmente, tem-se quando se estabelece uma relação profunda para com os parentais — como é exemplificado na cumplicidade entre Christopher e seu filho de cinco anos no filme “À Procura da Felicidade”. Consequentemente, os meninos e meninas que se desenvolvem escassos desse tipo de convívio, tendem a ser mais inseguros, introspectivos e a não enxergarem os progenitores como amigos. Essa conjuntura pode ser amplamente associada ao programa “Conta Pra Mim”, criado pelo Ministério da Educação, cujo principal objetivo, além de promover a leitura, é conectar famílias.
Nota-se, portanto, que o distanciamento entre pais e filhos, nas últimas décadas, tem afetado o desenvolvimento psicológico e social das crianças e jovens brasileiros. Sendo assim, o Ministério da Cidadania, como instância máxima do desenvolvimento social brasileiro, em parceira com as Secretarias de Desenvolvimento Estaduais e os responsáveis, deve atuar em favor da juventude, por meio de propagandas explicativas, que ajudem os pais a entender a real necessidade de estar presente na vida de seus filhos, a fim de garantir uma evolução segura e o surgimento de mais Ben Carson’s.