A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 04/09/2019
Da compreensão do significado das revoltas cativas nos séculos XVI e XVII, até a abolição da escravatura em 1888, o estudo do período colonial tornou-se essencial para o entendimento das raízes de luta e resistência que marcaram a nação. Nesse sentido, os quilombos - comunidades formadas por escravos fugitivos - representam um campo de estudo indispensável para o entendimento do estilo de vida e organização social. Desse modo, é válido afirmar que a importância dos quilombos no Brasil hoje é relativizada, seja pela marginalização da população quilombola, seja pelo baixo interesse no desenvolvimento de pesquisas acadêmicas que podem contribuir para uma maior compreensão desses povos. Logo, são necessárias ações governamentais, visando o enfrentamento dessa problemática.
“É chegada a hora de tirar nossa nação das trevas da injustiça racial.” A frase declamada por Zumbi de Palmares, líder quilombola, evidencia a marginalização sofrida por esses indivíduos devido a sua cor. Isso acontece porque o Governo, maior responsável pelo bem estar desses povos, há décadas, ignora demandas básicas e cruciais para essa população, como o direito à terra. O relatório divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), em novembro de 2011, revela que 55,6% dos adultos residentes em comunidades quilombolas vivem com fome ou sob o risco de inanição. Em decorrência desse desamparo, os quilombos existentes no país ficam à margem da sociedade e permanecem invisíveis, sem o direito à cidadania e a necessidades básicas.
Além disso, as Universidades brasileiras são omissas na realização de estudos científicos que poderiam auxiliar e contribuir para a melhoria das condições de vida nos quilombos hodiernos. Isso decorre da limitação curricular existente nos cursos de ciências humanas no país, que limitam-se a uma grade de disciplinas focadas no tradicionalismo: análises sobre estruturas familiares em engenhos, e tráfico negreiro, por exemplo. Por consequência disso, a importância dos quilombos como forma de conservar registros de um período obscuro do Brasil não é reconhecida. Logo, observa-se que a invisibilidade dessas comunidades, um século depois da libertação dos escravos, permanece.
Portanto, é evidente a importância dos quilombos no Brasil atual. Em virtude disso, o Poder Legislativo deve, a fim de dar segurança jurídica às terras quilombolas e evitar apropriações irregulares, propor, por meio de emenda constitucional, projeto de lei de demarcação de territórios pertencentes a quilombos. Ademais, o Ministério da Educação deve inserir no ensino médio e cursos de graduação em ciências humanas, disciplinas que tratem da relevância dos quilombos, a fim de oferecer uma percepção completa do período escravagista brasileiro. Logo, os quilombolas no Brasil contemporâneo terão seu mérito reconhecido.