A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 23/09/2019
“Guerra improvável, paz impossível”, Raymond Aron disse e resumiu a Guerra Fria. Porém, em um contexto sócio-histórico onde o quilombo é uma ocupação de resistência que atravessa o tempo e a elite agrária sempre foi detentor de poder que ameaçou a soberania das ocupações, é claro que o sociólogo francês também resumiu a questão da importância dos quilombos hoje no Brasil. Isso, no entanto, faz a sociedade refletir sobre as mudanças quanto a importância das ocupações quilombolas.
Com base em pesquisas da Folha de São Paulo, o Brasil tem cerca de 16 milhões de comunidades de resistência, sendo estas, apesar da Constituição Federal defendê-las, não terem sua soberania respeitada. Assim, as comunidades atravessam o tempo, as dificuldades e as constituições enfrentando os mesmos problemos de falta de reconhecimento que houve também no passado.
Nessa perspectiva, o Estado falha ao não reconhecer a posse de terras que o Ministério da Agricultura já têm ciência do pertencimento há muito mais tempo que lei os garantiria o direito. Por conseguinte, a terra mostra-se um instrumento de cultura e sobrevivência para os descendentes daqueles que ressaltam a importância dos quilombos como um patrimônio histórico imaterial.
Dessa forma, Raymond Aron não errou em dizer que a paz é impossível, já que o Estado aliado da sociedade colaboram para que o direito a terra não seja respeitado e mantido nas mãos dos grandes latifundiários. É preciso, portanto, que a sociedade, como um todo, pressione o Ministério Público por reconhecimento da posse das terras dos descendentes de negros e indígenas, respeitando a sua identidade e existência. Ademais, cabe a escola, como formadora de cidadãos, instruir seus jovens quanto a existência e história dessa parte da sociedade brasileira, constantemente marginalizada pela elite agrária, para que um dia a população tenha ciência da importância de tais.