A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 24/09/2019

O filme “Pantera Negra” retrata a história de um reino chamado Wakanda onde sua sociedade se distancia do mundo ocidental em busca de preservar seus recursos naturais e se desenvolver sem conflitos. Bem como na ficção, o Brasil, país que recebeu metade dos povos africanos escravizados, foi cede de inúmeros mocambos os quais refletem no hodierno contexto nacional não só a resistência negra mas também a necessidade de recuperar sua identidade dentro de uma sociedade que impõe a cultura européia desde os tempos de colônia.

Em primeiro plano, cabe ressaltar que se um sistema pressupõe a posse de uma pessoa necessariamente implicará violência, tanto dos senhores quanto dos escravizados. Dessa forma, durante o processo de escravidão, os quilombos se tornaram símbolo máximo de insatisfação à condição impostas aos negros como também da repressão do Estado brasileiro contra essas populações refletindo até nos tempos mais recentes. Esse tipo de agrupamento, que teve seu auge com o Quilombo dos Palmares, promove uma reflexão sobre o quão forte pode ser o Pan-africanismo se esse resistiu 83 anos durante o período colonial onde era perseguido incansavelmente pelos bandeirantes.

Somado a isso, houve a proibição das religiões de origem africana e imposição da conversão ao catolicismo com o objetivo de facilitar o sistema escravocrata. Além disso, apenas em 2003 que a Constituição Federal reconheceu a determinação da existência das comunidades de remanescentes de quilombos com o decreto 4.887. Essas atitudes ilustram de forma clara o desinteresse do Estado em promover o fortalecimento da cultura do povo que foi subjugado e explorado durante anos ao passo que transforma as comunidades quilombolas em exemplo possível de emancipação das ideologias  de subserviência herdadas dos colonizadores.

Torna-se evidente, portanto, a relevância na contemporaneidade desses movimentos principiados com a insubordinação dos negros escravizados ao seus colonizadores. A fim de valorizar o processo de formação da sociedade brasileira, composta majoritariamente por negros, urge que o Ministério da Cultura e Turismo em parceria com as secretarias estaduais e municipais de educação devem promover o acesso da população aos museus e sítios tombados que possuam reminiscências dos antigos quilombos por meio de ONGs, que já tenham experiência comprovada nesse cenário específico. Diminuindo, assim, o distanciamento entre o aparato estatal brasileiro, conhecido por reprimir, matar e encarcerar as populações negras, do cenário utópico de Wakanda.