A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 23/09/2019

“Porque o ouro é tão querido e a prata subvalorizada? Alguns hão de responder que é pela prata ser encontrada com mais facilidade, reflita, o Brasil tem uma população de negros maior que a de brancos, temos menos valor por ser maioria? a ironia da maioria virar minoria.”. A metáfora sonora da prata sendo a pele negra, levantado pela banda Baco Exu do Blues, faz alusão a discriminação racial ainda latente no Brasil. Nessa perspectiva, mas fora da musicalidade, a fim de auferir igualdade e respeito, cabe evidenciar a importância dos Quilombos no país hodierno, bem como analisar sua importância para a nação e a ausência da atuação do Estado na garantia dos direitos dos quilombolas.

Em primeiro plano, deve-se salientar a relevância dos Quilombos na construção identitária do país. Durante o período escravocrata brasileiro (XVII - XVIII), surgiu as comunidades fortificadas nas matas, criadas por negros fugidos, que passavam a viver de acordo com a sua cultura africana, sendo Quilombos dos Palmares o maior e mais emblemático de todos. Nos dias atuais, percebe-se a forte presença das comunidades remanescente de quilombos nos estados brasileiros, mas que ainda, de acordo com o INCRA, menos de 7% das terras reconhecidas como pertencente a esses comunidades estão regularizadas. Assim, como consequência, sem a certificação, os territórios ficam inacessíveis para políticas públicas básicas e se tornam alvo de conflitos.

Outrossim, torna-se profícuo ressaltar a luta dos quilombolas para preservação da cultura e memória afro-brasileira. Segundo a médica neurologista Rita Levi-Montalcini, não há raças, o cérebro dos homens é o mesmo; mas existem racistas, e deve-se superá-los com armas da sabedoria. Sob esse viés, torna-se pertinente aclarar a importância dos quilombos quanto símbolo de representatividade e resistência entre os povos, quanto a sua rica produção cultural que torna-se um movimento pertinente de construção identitária para o país. Evidencia-se, assim, a necessidade do quilombo como marca de expressão e preservação da sua rica história, bem como melhorias no sistema informacional, para que a população compreenda mais sobre esses povos, e os índices de descriminação e racismo atenuem.

Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação e Cultura atue, em união com o INCRA, na regularização das terras, a partir de investimentos e da titulação das comunidades, para que todos os quilombolas tenham os seus direitos e a cultura preservados em um ambiente digno socialmente, sendo assim reconhecidos como cidadãos brasileiros. Ademais, cabe a mídia operar nas informações acerca dos quilombolas, a partir de campanhas educativas que mostrem a sua importância, para que sejam compreendidos e respeitados na sociedade. Então, será capaz aceitar, de fato, a concepção de Baco Exu do Blues, da prata como sendo um metal puro, sem a procura excessiva pelo ouro.