A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 19/09/2019
Sabe-se que a história do Brasil é marcada por 300 anos de escravidão africana e pela resistência negra em todo esse período e até os dias atuais. Por conseguinte, a manifestação política de resistência mais importante para a emancipação dos cativos foram os quilombos: locais de convívio e moradia de escravos fugidos. Desse modo, essas manifestações ainda existem e sofrem diversos ataques e riscos, embora seja um patrimônio singular em termos históricos e sociais.
Em primeiro plano, é importante ressaltar que segundo a Fundação Palmares, existem mais de 16 milhões de quilombolas no Brasil, equivalente à população de Portugal. Nesse sentido, evidencia-se que, mesmo com todos as dificuldades - falta de terras demarcadas, escassez de recursos, ausência de segurança e educação e etc. -, os quilombos ainda resistem em termos numéricos.
Ademais, os quilombos possuem ainda a função de abrigar pessoas que se autossustentam pela terra, pelo plantio e pecuária próprios e se caso migrassem para as cidades, provavelmente, teriam que viver de subempregos e morar em periferias, levando em consideração o acontecido em 1888, quando vários escravos foram alforriados sem apoio do Estado para se estabilizarem, e de novo nas décadas de 60 à 70, período de forte êxodo rural.
Sintetiza-se, portanto, que é evidente a importância dos quilombos e, por consequência, sua preservação. Para isso, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente tenha autonomia e apoio do Governo Federal para atuar, por meio de ambientalistas, assistentes sociais e especialistas na questão quilombola, na demarcação das terras e na fiscalização rural para garantir o acesso dos negros à terra e sua sobrevivência a partir dela. Além disso, o Ministério da Educação deve, por meio de livros e filmes, educar as crianças sobre a necessidade de se preservar a história e formas de ajudar os quilombos a existirem.