A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 13/09/2019

“Festas, tambores e ritos. É meu lugar, é minha cultura, é meu orgulho e forma de resistir. Fome, miséria e morte. Também é meu lugar, é inexistência para uns, é agressão para outros. Somos invisíveis ao Governo e incomodamos a sociedade. Queria apenas me orgulhar do meu lugar, do meu quilombo.” Esse relato fictício - embora verossímil - denúncia a situação dos quilombolas no Brasil de hoje. Com efeito, é necessária a análise de sua importância cultural e dos problemas enfrentados por esses indivíduos.

Em primeiro plano, é notória a importância dos quilombos na construção identitária do país. Nesse viés, tais locais representam a resistência desses povos durante o período escravocrata na busca pela liberdade. Destarte, a sociedade quilombola simboliza o resgate à cultura de seus ancestrais e precisa ser respeitada, como já defende a Constituição Federal de 1988. Entretanto, segundo uma perspectiva do sociólogo Nick Couldry, as vozes sociais dos quilombolas não são ouvidas pelo Estado, o que os relegam à inexistência social. Sendo assim, a desigualdade da voz impede a construção de uma vida digna nos quilombos, marcados pela situação de miséria e vai de encontro aos ideais da Carta Magna, transformando esse povo em meros “cidadãos de papel”, ou seja, indivíduos que só tem direitos na teoria.

Paralelo a isso, parte da sociedade brasileira banaliza a situação atual dos quilombos e dificulta a construção de um local com a mínima qualidade de vida para esse grupo social. Nesse contexto, o autor José Saramago em sua obra “ensaios sobre a cegueira” evidencia que vivemos uma “cegueira branca”, em que minimizamos as dores dos outros e deixamos espaços para disseminação do preconceito, infelizmente, tal realidade é enfrentada pelos quilombolas. Desse modo, dados da “folha de São Paulo” retratam os altos índices de discriminação e intolerância contra esse povo no Brasil. Portanto, os brasileiros, ao invés de ver os quilombos como forma de pluralidade cultural, coloca-os em situação de vulnerabilidade social ao promover as diversas formas de preconceito.

Em suma, torna-se irremediável uma mudança nesse paradigma. Para tal, cabe ao Governo Federal investir em programas de investimento social nesses locais, por meio de incentivos fiscais, como na construção de bases que garantam a entrega de alimentos, para reverter a situação da fome, por exemplo. Ademais, cabe ao Ministério da Educação implementar no programa estudantil uma matéria, a partir de investimentos na área educacional, que pregue a diversidade cultural, a fim de transformar os jovens estudantes em atuantes na luta contra o preconceito que esse povo sofre. Então, “o meu lugar” será um local apenas de orgulho.