A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 11/09/2019

“O importante não é viver, mas viver bem.” Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapasse a própria existência. No entanto, para grande parte da população negra do Brasil, tal filosofia nunca foi uma realidade devido a escravidão e os estigmas deixados por ela. Diante disso, os Quilombos sempre se mostraram de suma importância para a manutenção dos direitos dos afrodescendentes, sendo um símbolo de resistência e de preservação cultura.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a questão do surgimento das comunidades negras livres, que ocorreu como forma de sobrevivência ao regime escravocrata que vigorou no Brasil por mais de três séculos. Nos Quilombos, negros e até mesmo indivíduos marginalizados pela sociedade da época podiam viver de forma autônoma, sem medo de ser oprimido por sua cor ou condição. Diante disso,  conclui-se que essas comunidades representaram o que o filósofo iluminista John Locke chamou de direitos naturais do homem, como o direito a vida, liberdade e a propriedade.

Ademais, é essencial ressaltar a importância que os Quilombos possuem nos dias atuais como mantedores da cultura e identidade da população afrodescendente. A exemplo disto, tem-se a mandioca, raiz que antes era considerada apenas base da alimentação dos escravos e que atualmente é consumida por milhares de brasileiros. Além da culinária, os locais de refugio dos negros foram e são primordiais para a preservação dos valores históricos, religiosos e de costumes, o que contribui diretamente na luta contra racismo e intolerância, pois de acordo com o futebolista italiano Mario Balotelli, tais formas de violência florescem da ignorância humana.

Fica evidente, portanto, a necessidade de uma tomada de medidas que garantam a valorização dos Quilombos na atualidade, tais como: urge que o Ministério da Educação (MEC), por meio da Nova Base Curricular Comum, insira na carga horária das instituições de ensino público e privado, aulas mensais -para não sobrecarregar a já intensa grade curricular - sobre a história das comunidades negras livres e sua contribuição na luta contra o racismo. Deste modo, através da educação será promovida a formação de indivíduos mais tolerantes, conscientes e que respeitem a história de um povo marcado pela resistência contra sistemas opressores.