A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 15/09/2019

A resistência como alicerce

Palmares. Um dos maiores quilombos existentes durante o período escravagista, lutava incessantemente pela liberdade negra e pelo direito de livre prática cultural. Contudo, as comunidades quilombolas no Brasil moderno ainda enfrentam situações análogas ao período de escravidão, sujeitos à invisibilidade e exclusão social devido à falhas pedagógicas no ensino das matrizes culturais compositoras da identidade brasileira e, também, da negação de territórios protegidos e reconhecidos pelo Estado que visam manter as tradições afrodescendentes.

A princípio, consta-se que na base curricular da educação brasileira o ensino das tradições e costumes da cultura afrodescendente é ainda defasado e de crescimento lento. Apesar da existência de lei 10.639 de 2003, que torna obrigatório o oferecimento do conhecimento acerca da construção e resistência da sociedade afrodescendente no Brasil, esse trabalho de conscientização cultural enfrenta obstáculos na falta de suporte e providência de profissionais preparados para lecionar a respeito das manifestações quilombolas, resultando na criação de indivíduos leigos sobre a formação de suas próprias raízes identitárias.

Também, é claro que as formações quilombolas lutam há anos pela conquista e reconhecimento estatal sobre seus territórios de ocupação, não obtendo significativos avanços. Segundo uma matéria publicada no jornal A Folha de São Paulo, 1 em cada 10 quilombos brasileiros não possuem certificação por parte do Estado. Logo, essa situação de abandono e invisibilidade coloca a estrutura quilombola em risco, pois todo o conhecimento, a religião, as tradições e práticas dessas composições são constantemente ameaçados pelo fantasma da desapropriação e expulsão territorial, levando os indivíduos ao desamparo social.

Enfim, urge que a sociedade brasileira, junto a órgãos como O Ministério Público e a Fundação Palmares, busquem inserir gradualmente o conhecimento da situação quilombola na formação educacional dos cidadãos através de diretrizes estudadas pelo Ministério da Educação, as quais devem funcionar em conjunto com a contratação de palestrantes membros de populações afrodescendentes e com a realização de atividades como peças de teatro e artesanato. Assim, a inserção de ações que procuram facilitar a realidade dessas organizações de resistência terão efeito na tentativa de não permitir a permanência das situações vivenciadas pelos escravizados no Quilombo dos Palmares, visando sempre o desenvolvimento e coexistência harmoniosa das diferenças étnicas da tão diversa identidade brasileira.