A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 21/09/2019

Em “O Contrato Social”, o filósofo Rousseau formula uma questão clássica nas ciências sociais: Por que o homem nasce livre e, por toda parte, encontra-se acorrentado? De maneira análoga, no século XXI, faz-se necessário debater sobre a importância dos quilombos na construção da identidade nacional brasileira, visto que a formação dessas comunidades aludem a uma sociedade escravista.

Para o sociólogo Émile Durkheim, um fato social configura um conjunto de valores que estabelecem o indivíduo como fruto do meio. Sob essa ótica, em um contexto liberal, as empresas buscam maximizar seus lucros por meio do barateamento da produção, mesmo que para isso recorram a métodos desumanos, como a escravidão e a tortura. Ademais, os quilombos - comunidades formadas por ex-escravos negros - simbolizavam a luta contra a escravidão e os maus tratos, demonstrando que esse contingente não se acomodou frente ao regime imposto.

Nesse ínterim, segundo o Censo de 1872, implantado por D.Pedro II, mais de 1 milhão de escravos habitavam o Brasil na época. Desse modo, os quilombos são considerados patrimônio histórico e cultural brasileiro, visto a discussão social levantada durante a sua formação. Outrossim, o questionamento acerca da cultura escravista e, por conseguinte, a instauração de leis abolicionistas, como a Lei Eusébio de Queiroz - que pôs fim ao tráfico negreiro - possibilitaram uma mudança social profunda. Portanto, os quilombos são símbolos da identidade nacional e carecem de espaço dentro das escolas e das universidades.

Percebe-se, portanto, que é dever do Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cultura, inserir na matriz curricular das escolas matérias como “Patrimônios culturais brasileiros”, com o intuito de promover o interesse social a questões de identidade nacional. Sendo assim, será possível formar cidadãos pensantes e aptos a reconhecer a importância da luta e da resistência na formação do Estado Nacional Brasileiro.