A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 19/09/2019

Segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, “O Brasil possui uma perversidade intrínseca, sendo o último dos países a abolir a escravidão”. Visto isso, entende-se que o país, no auge de sua contemporaneidade, carrega uma marca histórica e um intenso desfalque no que se diz respeito à equidade da população. Nesse contexto, é indubitável que uma grande parcela da sociedade brasileira não reconhece os quilombos como parte de sua construção identitária. Isso ocorre alarmantemente, devido à desinformação e a discriminação para com a população negra, que por décadas não foi vista como cidadã. Essa realidade constitui um desafio a ser resolvido não somente pelos poderes públicos, mas pela sociedade como um todo.

Tendo em vista o cenário atual da educação, sabe-se que o número de crianças e jovens que não completam seus estudos, é grave e crescente. A problemática por trás desse dado se dá devido ao fato de que infantos leigos, tornam-se adultos alienados. Dessa forma, é possível observar que a quantidade de indivíduos que não têm acesso à história do Brasil, tampouco possuem o conhecimento de que as  inúmeras comunidades de quilombos que já existiram  e as quilombolas que ainda existem, são essenciais na formação cultural da nação. Faz-se imprescindível, portanto, a ruptura dessa tendência.

Além disso, atuando como raízes do racismo, convicções discriminatórias e preconceituosas estão atreladas ao fato de que muitos não aceitam as comunidades de quilombos como patrimônio cultural, apesar de toda resistência e luta. Esse fato deriva do alto índice de desigualdade por cor de pele que está presente no Brasil. Segundo a Unesco, 71% das pessoas que morrem no país são negras. Nesse caso, fica nítido que a falta de leis que punam os atos cometidos a seres humanos simplesmente por serem negros e a dissolução dos pensamentos racistas, é inquietante e urgente.

Fica evidente, portanto, a necessidade de criar políticas públicas que combatam tanto a falta de informação, quanto o racismo estrutural presentes na sociedade brasileira. Desse modo, é papel do legislativo  propor reformas constitucionais, mediante à criação de debates sobre a importância cultural dos quilombos, possibilitando todos os indivíduos a visitar os museus e as próprias comunidades, se possível. Analogamente, cabe ao executivo, zelar pelo cumprimento destas leis e investir no Ministério da Educação, através do aprimoramento de temas voltados para cultura, onde deve viabilizar exemplares de livros como o “Casa-grande e Senzala” de Gilberto Freyre, que mostram a realidade do período escravocrata. Assim, o Brasil poderá crescer culturalmente aceitando sua história e combatendo dia após dia a malevolência que carrega sendo o último país a abolir a escravidão.

. Paralelamente, é função da mídia