A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 23/09/2019
O período colonial brasileiro foi marcado pela mão de obra predominantemente escrava e de origem africana, a qual era explorada e tratada como mercadoria pelos senhores de engenho. Dessa forma, diversos escravos visando resistir a esse sistema, criaram os quilombos, locais que serviam de refúgio e no qual eles praticavam os próprios costumes característicos, que antes eram oprimidos. Recentemente, entretanto, tais comunidades não recebem o verdadeiro reconhecimento na sociedade, devido a concepções preconceituosas e que vão contra ao relativismo cultural, necessitando, portanto, de uma ação conjunta entre governo e as famílias para que esse quadro seja alterado.
Primeiramente, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a contemporaneidade é marcada pela modernidade líquida e o individualismo é uma característica predominante. Diante disso, é inegável que a negligência à importância que os quilombos representaram na construção da identidade brasileira está presente na sociedade, mesmo que essa seja considerada miscigenada. Isso porque, grande parte dos indivíduos valoriza determinadas etnias em detrimento de outras, principalmente as de origem europeia, fato esse que compromete o enaltecimento desses grupos com resquícios da cultura africana.
Em segundo plano, baseando-se em conceitos sociológicos a respeito da Socialização Primária, o primeiro contato do ser humano com entes socializadores, nesse caso, a família, em especial, promove a incorporação de costumes e valores expressos por ela. Dessa maneira, os preceitos compartilhados por esse órgão são determinantes na educação e no comportamento que as pessoas adquirem diante da sociedade. Assim, evidencia-se que a valorização ou a opinião negativa sobre os quilombos também é um expoente que depende da instrução familiar.
Portanto, para que tal situação se modifique, urge que o Estado e as famílias cooperem. Cabe ao governo, a partir de órgãos como o Ministério da Educação, introduzir o estudo de culturas distintas na matriz curricular dos estudantes, por meio de oficinas educativas e pelo aprofundamento na disciplina de história, para que haja o conhecimento da cultura quilombola pela nação. Ademais, incluir a noção de quem são esses indivíduos e a importância deles na construção de um país altamente mestiço, para que assim, o número de cidadãos preconceituosos diminua consideravelmente. Haverá, assim, o reconhecimento da relevância desses povos no Brasil.