A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 20/09/2019
Gilberto Freyre, sociólogo e antropólogo, defendeu que o brasileiro seria a síntese cultural e mestiça devido ao contato entre negros, índios e brancos. Entretanto, paradoxalmente ao cenário defendido pelo pensador, observa-se, na atual conjuntura brasileira, uma incompatibilidade entre a importância dada aos quilombos e a preservação histórico-cultural. Dessa forma, faz-se necessário ao Ministério da Educação- MEC-, aliado a Fundação Cultural dos Palmares, tome medidas que visem à redução desse contraste.
Em primeiro plano, cabe analisar que a Constituição Cidadã garante às comunidades quilombolas remanescentes a demarcação das terras que originalmente essas populações ocupam, com o intuito de preservar e respeitar tal cultura. Entretanto, segundo dados da Folha de São Paulo, apenas 1 em cada 10 quilombos recebem o título de posse, evidenciando um desrespeito a Carta Magna e a história cultural do país.
Ademais, vale ressaltar que a escravidão, que durou 300 anos no Brasil, fomentou a existência de intolerância e preconceito contra a população negra que perdura até os dias atuais. Diante disso, os grupos africanos se organizavam em quilombos para fugir do racismo do qual sofriam, fazendo com que esses mocambos se tornassem locais que valorizavam os hábitos e costumes dos negros, corroborando para a ideia um local de resistência cultural com importante valor na memória canarinha.
Evidenciam-se, portanto, a necessidade de ações promotoras de transformações. Para tanto, o MEC, aliado a Fundação Cultural dos Palmares, deve impulsionar a realização do projeto “Escola sem racismo: Afro-brasilidades na comunidade escolar”. Tal concepção consiste em realizar, em escolas públicas e privadas, ações culturais e educativas, por meio de rodas de conversa, filmes e oficinas com enfoque na história e nas manifestações culturais afro-brasileiras, para que estudantes, professores e funcionários possam compreender a importância da preservação cultural, principalmente dos quilombos. Somente assim, a reflexão de Freyre poderá ser compreendida e o brasileiro entenderá que é resultado de uma síntese cultural.