A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 21/09/2019

Resistência. Liberdade. Esperança. Tais palavras refletem um dos marcos da cultura e história brasileira em meados do século XVI, em que negros escapavam de seus algozes e davam origem aos chamados quilombos. A palavra quilombo faz referência a “guerreiro da floresta” e demonstra a luta desse povo por sua liberdade em meio a violência sofrida e a perseguição. E após mais de 400 anos da sua formação ainda existem quilombos remanescentes habitados por descendentes de ex-escravos, que possuem sua cultura e sua própria identidade, fazendo-se únicos e especiais. Dessa forma, é essencial discutir sobre a importância e a persistente desse povo por seus direitos e valorização.

Analisa-se, de início, que apesar dos quilombos terem sido uma parte fundamental para o desenvolvimento social e econômico de muitos ex-escravos, atualmente perseveram muitos quilombos que assim como seus antepassados, resistem e lutam por seus ideais e sua afirmação como uma cultura singular na história brasileira. Segundo o historiador Darcy Ribeiro, em seus estudos e críticas sobre a formação do povo brasileiro,  afirma, que o que define um povo não é a demarcação territorial, mas sim um conjunto de características que faz dele um grupo identitário, diferenciando-se de outros grupos. Ou seja, para Darcy a demarcação territorial está inserida em sua identidade e cultura, pois é ali que fora formada sua nova história em terras estrangeiras, marcada por sua resistência e diligência.

Pontua-se, ainda, que nos dias atuais a questão quilombola não é reconhecida por grande parte da sociedade, pois não a visibilidade para esse povo. Muitas pessoas não sabem que ainda existem quilombos e por essa “ignorância” permanecem apáticas na resolução das dificuldades enfrentadas por esse povo. No Brasil são mais de 3 mil comunidades quilombolas, segundo a Fundação Cultural Palmares, e muitos vivem em situações precárias e marginalizados pelo governo, que não visa melhorias e seus direitos permanecem “engavetados” a espera de uma constituição que seja efetiva e não fique apenas no papel, demonstrando, assim, a falta do exercício de alteridade na sociedade.

Compreende-se, portanto, que é necessário uma maior visibilidade para os atuais quilombos brasileiros e ações para seu efetivo bem-estar. Assim, urge que o Ministério dos Direitos Humanos promova a regulamentação efetiva das terras ondem moram famílias quilombolas, agilizando tais processos e diminuindo a burocracia para tais atuações, sendo, dessa forma, que poderá haver uma verdadeira tomada de consciência dos governantes. Outro fator coadjuvante é que as escolas, órgão que tem a finalidade de civilizar e ensinar sobre o meio, coloque em horários recreativos saraus e peças sobre as comunidades que persistem na realidade atual, fazendo os alunos refletirem e tornarem-se cientes das causas do seu povo e de seu país, sendo, assim , haverá uma verdadeira união social.