A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 23/09/2019

O legado dos Mocambos no século XXI

A invasão de holandeses, em Pernambuco, durante o ano de 1630, propiciou a fuga de escravos dos engenhos devido a ausência de seus senhores. Essa ato contribuiu para a agrupamento e formação de centros de resistência, Quilombos (Mocambos), onde esses ex-escravos poderiam viver de acordo com suas culturas, sendo Pamares o mais famoso. A partir do século XVIII, culminado com interesses comerciais ingleses no Brasil, o combate a escravidão e ao tráfico negreiro se tornou a principal questão de luta, através de campanhas abolicionistas, durante o reinado de D.Pedro II. Atualmente, essa resistência reside na prevalência do direito de ensino da história africana nas escolas, na luta de integração social e maior participação no mercado de trabalho.

A lei 10.639/03 torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas. Essa lei, promulgada em 2009, alterou as diretrizes curriculares permitindo a transposição de conhecimento além do conceito de escravo. Pelo fato da população brasileira ter uma matriz identitária abrangente, o ensino dessa disciplina é fundamenta para a construção da identidade populacional do país que não se resume a participação negra como escravos, mas como um povo rico culturalmente e grande contribuidor para a formação do Brasil. Decerto, parte dessa representatividade busca integrar e eliminar preconceitos socio-raciais decorrentes do passado histórico escravocrata.

Outrossim, é a falta de maior participação da população negra no ensino superior ou em cargos profissionais que exigam nível superior. Esses problemas decorrem da falta de uma educação de qualidade, marcado pela ausência, no passado, de políticas de integração social dos negros após a decretação da Lei Áurea. Conforme o relatório divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), em 2014, 55,6% dos quilombolas remanescentes não possuem acesso a educação ou qualquer tipo de qualificação profissional e, ainda, passam fome. No entanto, projetos, como ‘conhecendo nossa história’, buscam alterar esse quadro mesmo que o abismo social entre brancos e negros ainda persiste como principal fator descriminatório.

Portanto, mesmo após 200 anos do fim da escravidão, ainda é necessário que o Governo Federal em conjunto com Ministério da educação e ONGs,  aumentem o acesso de jovens negros e pobres à educação por meio de financiamente de projetos com a implementação de disciplinas, como a história da cultura afro-brasileira e africana, com o intuito de aumentar o interesse na educação escolar e na própria formação identitária de forma que eleve o índice de participação de jovens negros em cargos de níveis superiores, com isso, colocando um fim da discrepância entre negros e brancos na sociedade.