A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 22/09/2019

Intimamente ligada ao desenvolvimento das civilizações ao longo da história, a cultura sempre foi a conexão entre o indivíduo e a sociedade, de modo a promover o bem individual e coletivo. Nesse sentido, o engrandecimento e o reconhecimento da diversidade cultural brasileira torna-se incisivo na concretização da identidade nacional, contudo a fragilidade das comunidades quilombolas, haja vista a falta de iniciativas públicas sociais, bem como a falta de reconhecimento da sociedade a essas comunidades contribuem para uma das contradições mais desfavoráveis na manutenção de uma cultura inerente ao Brasil.

É importante considerar, de início, que a escassez de iniciativas públicas é fator dos obstáculos no desenvolvimento desses grupos. Nesse âmbito, parafraseando o filósofo Aristóteles, as políticas sociais devem ser usadas de modo que, por meio de direitos invioláveis, como a igualdade o equilíbrio seja alcançado. Porém, contrariando essa lógica, a falta de ações públicas assistencialistas, como a disponibilidade do acesso à saúde e educação nessas comunidades, reflete diretamente na miserabilidade e no desequilíbrio da manutenção cultural desses. Com efeito, é contraditório que, em um país que se denomina desenvolvido socialmente, ainda haja o ferimento de um direito previsto constitucionalmente: o direito à integridade.

Ademais, ressalta-se que a desvalorização dos mocambos ocorre também em instituições de ensino. Isso é observado, sobretudo, na medida em que não são abordados com ênfase nas atividades educacionais, principalmente em aulas de História e Artes, figuras emblemáticas como Zumbi e Dandara, líderes do famoso Quilombo dos Palmares no século XVI, e manifestações características do povo quilombola, a exemplo da capoeira e do samba de coco. Essa situação tem reflexos negativos na formação identitária tanto dos afrodescendentes, quanto dos demais cidadãos, tendo em vista que uma parcela da herança cultural brasileira é suprimida, além de evidenciar um nítido preconceito para com esses agrupamentos e seus habitantes.

Portanto, é impreterível que o Estado, importante órgão articulador de ações públicas, amplie as políticas voltadas para as comunidades quilombolas contemporâneas, por meio do redirecionamento de verbas para preservação desses espaços e da otimização da demarcação de terras, a fim de cumprir as bases constitucionais e de ratificar a relevância desses grupos para a construção identitária do país. Concomitantemente, é imprescindível que as escolas abordem com mais periodicidade temas relacionados ao âmbito da cultura negra e dos mocambos, com fito de inserir e de manter essa população e seus respectivos costumes mais próximos da sociedade em geral.