A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 23/09/2019

Em pleno século XXI, a maioria dos brasileiros ainda acredita ser, o Brasil, um grande apêndice da Europa, esquecendo, portanto, dos outros povos os quais também formaram a população atual. Este cenário de marginalização de culturas não europeias persiste com as mesmas características de séculos passados como discriminação social e racial.

Desse modo, a segregação sócio-cultural se reflete na educação formal do Brasil. Fato demonstrado no currículo escolar brasileiro que não contempla a cultura africana, uma das mais importantes influências da sociedade. A cultura africana está presente nas mais diversas expressões populares como o samba, a capoeira, o coco de roda e a linguagem. Além disso, a construção política e econômica do último país a abolir a escravidão guarda profunda intimidade com a história negra sul-americana. Os séculos de resistência ao escravismo colonial recobrem o quilombo de uma simbologia usada inicialmente pelo movimento abolicionista e posteriormente, no pós-abolição, pelo anseio da consciência nacional por um Brasil de liberdade, união e igualdade.

Embora todas as evidências demonstrem à importância histórica, social e cultural dos negros no Brasil, a escola brasileira não oferece ao estudante conhecer suas origens e se reconhecer nelas promovendo o sentimento de pertencimento ao país, onde sua identidade está nas diferenças. O que vem ao encontro do pensamento da professora da UNB Glória Moura, que afirma a necessidade de uma revalorização das origens brasileiras para recompor sua verdadeira identidade.

Portanto, é preciso que a escola seja espaço da diversidade e diálogo entre os diferentes saberes. Para tanto, o Congresso deve incorporar às diretrizes curriculares nacionais, conteúdos sobre a história negra africana e brasileira. Além disso, o Ministério da Cidadania deve fomentar mídias (filmes, peças de teatro e telenovelas) que abordem a diversidade cultural brasileira como marca intrínseca da identidade brasileira a fim de empoderar os cidadãos de sua própria construção identitária.

Foi a existência dos quilombos que permitiu a todos os marginalizados lutar por condições de vida, pois nessas comunidades também eram aceitos brancos, índios e mestiços, os quais juntamente com os negros formavam a maior parte da população.