A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 23/09/2019

Em 1888,  foi assinada pela princesa Isabel a lei de abolição da escravatura no Brasil, pondo um fim, teoricamente, à escravidão. No entanto, 131 anos depois, é consenso que o tempo não foi capaz de curar as cicatrizes deixadas por mais de três séculos de dominação e ódio, trazendo consequências não somente políticas e econômicas, mas também ao povo, principalmente aos afrodescendentes. Dessa forma, tanto no passado quanto no presente, os quilombolas são a personificação da resistência às atitudes etnocêntricas e à defesa cultural.

A priori,é incontrovertível a importância da existência dessas comunidades no passado, dado o fato de que elas serviam não somente de refugio aos maus tratos e abusos de seus senhores, mas igualmente para encontrarem seus semelhantes e buscarem suas liberdades. Todavia, mesmo sendo evidente a relevância dos quilombos para a construção de um meio mais igualitário, muitos indivíduos perseguem e buscam acabar com a luz que traz esperança aos abusados - semelhante às atitudes dos escravistas. Compreende-se, na contemporaneidade, que isso ocorre devido a um corpo social baseado em ideais retrógrados de superioridade, o qual subestimava essas comunidades e tratava-as como inferiores. Contudo, mesmo diante tantas adversidades, o quilombo provou seu valor inúmeras vezes no decorrer dos séculos, mantendo-se firme diante de tanta disseminação de preconceito.

De maneira análoga, não se pode limitar esses refúgios à resistência no passado, uma vez que, apesar de o tempo não dissipar essa discrepância de valores, esses meios se tornaram matrizes da identidade cultural do cidadão negro e do brasileiro no geral, devido, essencialmente, ao seu papel formador representativo. Impende, pois, que atitudes voltadas à propagação de informações sobre a cultura africana como base no Brasil ocorra com mais vigor e abrangência, para seja possível incluir todo o corpo social e assegurar a isonomia de direitos, em virtude de o povo canarinho ser um gigante miscigenado.

Evidenciam-se, portanto, significativas dificuldades em transmitir a importância dos quilombos no Brasil atual. Logo, a fim de garantir a segurança do cidadão comum, o Ministério da Educação deve criar projetos educacionais nas escolas, os quais devem promover debates, palestras e atividades lúdicas por meio de orientação de ONGs com experiência comprovada nesse assunto específico de conscientização e integração da comunidade escolar, assegurando, assim, que o estudante conheça suas origens e se reconheça. Destarte, será possível certificar uma sociedade mais igualitária, justa e que proporcione uma cidadania legítima e plural.