A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 23/09/2019

O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão, em 1888 fora promulgada a Lei Áurea, que proibia o escravismo em todo território brasileiro, a abolição tardia permitiu que resquícios da cultura brasileira anteriores à abolição perdurassem até os dias de hoje, como exemplo, os quilombolas. As lembranças dos descendentes africanos escravizados são muito importantes não só para comprovar a multiplicidade identitária do Brasil, mas também para simbolizar a vitória na luta dos escravos pela sua liberdade e herança cultural.

O Brasil é um dos países mais miscigenados do mundo, e não possui uma identidade cultural única e fixa, dependendo da região, podem-se encontrar diversos aspectos culturais distintos, e a existência dos quilombolas comprovam essa diversidade. Aspectos culturais que perduraram desde épocas anteriores à abolição têm um valor cultural e histórico inimaginável, e a preservação desses aspectos é um dever obrigatório da nação. Em um vídeo gravado no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, o atual presidente da república, Jair Bolsonaro (PSL), faz um claro discurso de ódio contra os quilombolas, animalizando seus moradores e os tratando como “inúteis”, o que é um absurdo.

Os escravos lutavam pela sua liberdade e preservação de suas heranças culturais, e organizavam comunidades rurais para fugir de perseguições, e com isso conseguiram preservar grande parte de sua cultura e identidade,  o que é muito importante, afinal a cultura africana está encrustada em nossa cultura, e saber o eixo fundamental dessa cultura é essencial para compreender a nossa, não importando onde essa cultura se originou. Como Confúcio, pensador e filósofo chinês, disse: “A cultura está acima da diferença da condição social.”

Portanto conclui-se que a preservação da identidade cultural dos quilombolas é essencial para preservar a nossa própria cultura. O Governo deve legitimar o espaço ocupado por esses quilombolas através de demarcação de áreas exclusivamente para a sua ocupação em zonas rurais ou urbanas e garantir que sua cultura, religião e costumes sejam respeitados por todos, para que assim seja mantida a multiplicidade identitária do Brasil.