A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 23/09/2019

Seguindo uma tendência etnocêntrica da história, o conhecimento do povo brasileiro acerca de suas origens ainda é escasso. Nesse sentido, a ausência de representações da cultura afro-brasileira sobressai como um dos sintomas dessa realidade. Dessa forma, torna-se inegável a importância de resgatar ícones e movimentações históricas desse povo, como a organização social em quilombos.

De acordo com dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geográfica e Estatística, cerca de 55% da população brasileira declara-se como parda ou preta. A partir desses dados, denota-se uma contradição no que tange ao conhecimento compartilhado em escolas do país, posto que, ao estudarem os períodos de migração e fundação do país, os jovens cidadãos deparam-se com uma narrativa focada nos padrões europeus, sejam esses sociais ou culturais. Além da lacuna no ensino desses estudantes, essa prática comum aos currículos da maioria das instituições escolares também prejudica a construção de uma identidade histórica de grande parte da população, a qual não se identifica com os feitos narrados. Dá-se, assim, a perpetuação da ausência de figuras representativas brasileiras, o que se constitui como uma injustiça contra os cidadãos em formação.

O que torna a exclusão dos elementos africanos da história do Brasil uma injustiça histórica é o fato de que, ao contrário do propagado no senso comum, não faltam figuras importantes para serem abordadas. Nesse viés, é impossível não mencionar a criação de comunidades negras desde o período colonial, conhecidas como quilombos. Esses ambientes não serviam só como refúgio para negros escravos, posto que abrigavam grande parte daqueles que viviam à margem da sociedade da época. Um dos maiores expoentes foi o Quilombo dos Palmares, onde habitavam cerca de vinte mil pessoas. O essencial legado histórico dessas comunidades é a perpetuação da cultura singular dos povos, como suas práticas religiosas e os dialetos falados por esses. Além disso, na contemporaneidade, são primordiais exemplos de união e resistência, como os quilombos, para que a juventude possa inspirar-se com os ideais partilhados por seus ancestrais; excluir essa faceta da história brasileira é um desrespeito com aqueles que merecem conhecer a vivência dos que os antecederam.

Portanto, percebe-se que há discrepância entre a história brasileira e aquilo que é relatado na maioria das instituições de ensino. Assim, faz-se imprescindível que o Ministério da Educação dê enfoque para a Lei 10.639/03, a qual determina a obrigatoriedade do ensino da história afro-brasileira nas escolas de todo país, através da criação de currículos e projetos, junto às Secretárias de Educação, que fomentem a partilha desse conhecimento por parte dos profissionais da educação. Dessa maneira, será possível que os jovens brasileiros tenham a oportunidade de conhecer plenamente a história de seu país.