A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 06/10/2019

De acordo com o Artigo 1.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário desde 1948, todo membro da família humana tem direito à dignidade. Entretanto, mesmo após mais de 70 anos desse compromisso mundial, a desvalorização dos quilombos fere essa prerrogativa. Logo, poder público e sociedade devem buscar caminhos não somente para garantir os direitos dessa parcela importante, mas também para educar o cidadão sobre a sua importância.

Deve-se pontuar, de início, que o péssimo papel desempenhado pelo governo, no cumprimento da lei, corrobora para a atual situação alarmante. Segundo o filósofo inglês Thomas Hobbes, autor da célebre obra “Leviatã”, é papel do Estado manter a nação em harmonia. Em contrapartida, a prerrogativa hobbesiana não é garantida, os direitos sociais, amparados na Constituição Federal, não estão sendo cumpridos, uma vez que o poder público não oferece a essa população, muitas vezes, educação e saúde de qualidade – o que inviabiliza que esses indivíduos possam viver de forma digna. Dessa maneira, é mister que as prefeituras, em parceria com a União, acompanhem essas comunidades, de forma mais intima, por meio de profissionais qualificados, como médicos, professores e psicólogos, que possam oferecer um serviço de qualidade e humano. Por fim, a União possa, em parte, cumprir o seu papel e esses brasileiros possam ter uma vida melhor.

Ademais, a falta de debater nas entidades de ensino sobre a importância dos quilombos, como um tema transversal, converge para essa problemática. Um bom exemplo disso, pouco discutido, é que os estudantes não aprendem, nas aulas de história, sobre como essa população é parte viva da história do Brasil e a sua importância. Isso deixa perceptível que a nação é extremamente desinformada sobre o tema, por conseguinte não entende como essa parcela da sociedade é fundamental e nem como influência o seu dia a dia. Por isso, cabe às escolas, cumprindo o seu papel de formador social, criar aulas e rodas de debate nos finais de semana, para toda comunidade participar, através de palestrantes e de oradores instruídos que debatam sobre os quilombos, sua importância, os paradigmas e as dificuldades enfrentadas por esses indivíduos. Consequentemente, o cidadão torne-se mais corresponsável dos seus atos e respeite cada vez mais a diversidade cultural brasileira.

O despreparo da União aliado ao desconhecimento do cidadão são, portanto, entraves para a sua solução. Por tudo isso, além das medidas citadas, os canais de TV aberta, com auxílio do investimento social privado, têm o papel de criar programas de debate, narrativas ficcionais (seriados e novelas) e que tratem do tema, haja vista que a televisão causa forte impacto social. Somente assim, será possível, ao menos, criar um país fraterno e que garanta os Direitos Humanos a toda população.