A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 29/03/2020

Zumbi dos Palmares, líder da maior população quilombola, tornou-se um importante defensor na luta da liberdade dos negros e das posses dos direitos pós-escravistas. Visto que, com a abolição do trabalho escravo, promulgada em 1888, tratavam-os sem nenhum cuidado como cidadão e os deixavam ao alento. Nesse contexto, esses cidadãos uniram-se e surgiram as comunidades, conhecida por quilombos, que desde então, servem para desfrutarem suas raízes e tradições como também executarem suas próprias leis e costumes. Entretanto, ainda hoje, com o país bem desenvolvido em relação há mais de um século, há a permanência da exclusão dos direitos básicos para os descendentes dos aquilombados.

Antes de mais nada, houveram proibições dos costumes trazidos por negros africanos e, por esse motivo, a cultura tornou-se fragilizada. Crenças, danças, pratos culinários e educação foram alguns dos tópicos forjados a mudança, podendo ter castigos físicos e mentais para quem desrespeitassem, porém a resistência praticada por alguns, ascendeu a preservação de suas raízes. Nessa situação, o filme “Ganga Zumba”, retrata a continuidade na luta pela liberdade para poderem realizar práticas identitárias sem ser eliminado da sociedade. Logo, houve a necessidade da Constituição de 1988 de enquadrá-los nas leis de patrimônio cultural por fazerem parte da História Brasileira e há a garantia de proteção para seus descendentes pela Fundação Cultural de Palmares. Pois, de acordo com a Comissão Pró-Índio de São Paulo, existem cerca de 3 mil comunidades quilombolas contemporâneas rurais no Brasil que adotam suas tradições e as repassam para as futuras gerações.

Embora, é presente nas comunidades de todo o Brasil, carências do comprometimento com os direitos básicos desses moradores. O quilombo de Santa Rosa dos Pretos - MA, sofrem com a falta de saneamento básico, já que a água é acessível em riachos e poços, o lixo é queimado a céu aberto e para obtenção de luz é utilizado lamparinas. Mesmo que na Constituição Federal é assegurado o direito de todo cidadão ter acesso ao saneamento, a garantia da prática está à mercê. Por consequência, há o retorno da vida imposta pelos seus antepassados que são escravizados pelo Governo, já que não possuir os direitos mínimos de sobrevivência é um ataque a vida humana. Pois, como cita, Hannah Arendt: “A essência dos Direitos Humanos, é o direito a ter direitos”.

Em suma, é mister que nos quilombos haja soluções diante dos impasses. O Ministério da Cidadania em parceria com a Fundação Cultural de Palmares devem verificar a falta de necessidades básicas das comunidades para garantir a preservação da cultura aliado com o desenvolvimento urbanístico, permitindo assim, tornar-se uma sociedade que respeite o passado e contribua para uma mais inclusa.