A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 11/05/2020
Indígenas originais do Brasil, colonizadores europeus portugueses e negros africanos, nessa ordem cronológica, formaram o tripé da nossa matriz étnica como Povo Brasileiro. Mas ilude-se quem pensa em pacifismo na formação de nossa etnia. De fato, nossa miscigenação foi um ato de extrema violência histórica.
Logo, de início, foi preciso mão de obra para produzir açúcar e vendê-lo a Portugal. Para supri-la, os colonizadores foram à caça dos nativos que, por sua vez, exímios guerreiros, com domínio do terreno, fugiam de seus predadores. Mas inúmeras indígenas jovens eram capturadas.
Bons navegadores e provocadores de intrigas, em seguida, os portugueses criaram o tráfico negreiro com prisioneiros de guerras intertribais na África, trazidos ao Brasil como escravos. Estava pronto o tripé étnico do Brasil. Como raras mulheres brancas, europeias, vieram com portugueses, só havia um meio de povoar o novo mundo: usar escravas indígenas e negras para procriação. E assim fizeram a miscigenação.
Com astúcia, padres jesuítas espanhóis levaram indígenas até em guerras contra portugueses por disputas de terras ocupadas por portugueses além do Tratado de Tordesilhas de 1494. Holandeses ocuparam o Nordeste e negros aproveitaram para fugir das senzalas para a profundeza das matas, em comunidades de auto-auxílio, os quilombos. Portugueses partiram para destruí-los e a resistência negra verteu sangue, por mais de um século no Quilombo dos Palmares, hoje sertão de Alagoas, e seu líder Zumbi, traído, foi morto em 20.11.1695, Dia Nacional da Consciência Negra.
O quilombo se desfez em 1710 e o poder português ruiu até final formal do escravismo, 1888, Lei Áurea. Em 1889, a família imperial portuguesa foi expulsa do Brasil. Vários quilombos resistem até hoje, mesmo sob o racismo do atual governo e incêndios provocados na Amazônia.
Hoje, são exemplos históricos de luta e de que, Brasileiros, não somos tão submissos como os senhores desejam. Quilombos são símbolos da aspiração permanente do ser humano à Liberdade.