A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 17/07/2020

Durante os séculos XVI à XIX, o Brasil sob colonização portuguesa perseguiu e escravizou negros africanos em engenhos de mão-de-obra açucareira. Dessa maneira, surgiram os quilombos, locais de refúgio de escravos fugitivos e símbolo de resistência contra a escravidão. Em vista disso, observa-se que a existência de quilombos hodiernamente é de indubitável relevância para a preservação da identidade brasileira. Portanto, não há dúvidas de que a história de luta dos quilombos pela liberdade é de imprescindível importância não só para a cultura, mas também para a valorização dos direitos quilombolas e sua preservação no território brasileiro.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que os engenhos de açúcar no período colonial foram utilizados como fonte de muita riqueza para Portugal por meio do sistema escravista. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do escritor Darcy Ribeiro, no qual ele acentua que o Brasil como último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca em sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso. Assim, é necessário reconhecer o valor dos quilombos como grupos que resistiram à escravidão durante séculos, diante de uma sociedade que ainda carrega vestígios sócio-históricos do racismo, e validar sua importância cultural e social para o Brasil.

Em segundo lugar, vale salientar que programas sociais voltados para populações nativas e comunidades afrodescendentes, são pilares para a preservação dessas culturas. No entanto, entidades governamentais promovem a retirada de projetos sociais voltados para essa minoria. Diante disso, o atual presidente da república Jair Bolsonaro sancionou, o Projeto de Lei 1142/2020, que veta a obrigatoriedade do governo em fornecer o acesso à água potável, cestas básicas e materiais de higiene para as populações indígenas e quilombolas. Em síntese, é pertinente considerar que programas sociais são de suma importância para a manutenção da vida desses grupos, e sua retirada fomenta a exclusão social e o extermínio dessas populações em situação de vulnerabilidade.                                    Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Diante dessa perspectiva, cabe ao Ministério da Educação e da Cultura promoverem a inclusão do estudo da história africana e afrodescendente nas escolas, por meio de aulas regulares, palestras e filmes que abordem a educação étnica e a escravidão. Portanto, é de responsabilidade governamental a implementação de projetos sociais relacionados à distribuição de alimentos e água potável para as populações fragilizadas, a fim de manter a preservação da vida e da existência desses grupos. Somente assim, haverá um caminho traçado para a igualdade e para a valorização das culturas que compõem a identidade brasileira.