A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 14/08/2020

No livro “1984” de George Orwell, a sociedade da Oceania é estratificada em: Grande Irmão, Núcleo do Partido, Partido Exterior e Proletas. Ao discorrer da distopia, fica visível que à medida que um indivíduo decresce socialmente, a qualidade, a quantidade e a variedade de alimentos diminuem. Sendo isso, explícito em inúmeras passagens em que o personagem Winston menospreza os alimentos servidos ao Partido Exterior, ao qual ele pertence, e elogia aqueles servidos ao Núcleo do Partido. Similarmente a obra encontra-se a sociedade brasileira, já que dependendo do nível social do indivíduo a variedade, a qualidade e a quantidade de alimento se altera. Isso porque, ocorre uma má distribuição de alimentos pelo território brasileiro e o preço de tais não é compatível com a vida financeira de muitos cidadãos.

Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que, segundo o IBGE, 56,3% da população do Nordeste sofre de insegurança alimentar. Em contrapartida, a porcentagem da região Sudeste é de 27%. Ou seja, a má distribuição de alimentos pelo território brasileiro é uma realidade e não uma falácia. Com isso, torna-se incoerente que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, afirme em suas entrevistas à mídia que o problema da fome no território brasileiro é uma mentira.

Ademais, o alto preço dos alimentos é outro obstáculo para que a insegurança alimentar seja reduzida. Em de 2019, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em menos de três meses, alguns cortes de carne registraram alta acima de 50%, como o contrafilé e com a carne mais cara, a procura por frango, porco e ovos subiu, e o preço dessas proteínas também. Nesse cenário, inúmeras famílias relataram sobre a escassez de comida em suas refeições e aumentou-se a taxa de problemas de saúde relacionados a inanição.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Para que se diminua os impasses relacionados ao acesso à comida, urge que o Poder Legislativo crie um projeto de leis que proíbam a alta variação de preço dos alimentos básicos, sendo isso feito por meio de um plebiscito. Assim, tanto a população quanto os produtores de alimento poderiam chegar a um consenso de quais alimentos seriam capazes de ter seu preço patronizado mais facilmente. Somente assim, os obstáculos relacionados ao acesso à comida poderão ser amenizados e a distribuição do alimento com base social, como na Oceania de Orwell, não será mais tão compatível a realidade brasileira.